segunda-feira, 15 de julho de 2013

Voltando.

Eu já sentia em meu coração os ares da mudança, um aperto indizível no peito, algo não traduzível em palavras, uma espécie de enjoo, que faz olhar pro nada, ser nada. Ares não perceptíveis na primeira inspirada, ares com cheiro de fogo, de terra, de água.
O fogo pra queimar tudo o que não é meu, tudo aquilo que nunca fui, tudo aquilo que não quero ser, pra queimar as certezas e incertezas, fogo pra derreter as paredes que me prendem a velhos conceitos tristes de mim mesma.A terra para se afirmar, enfim se afirmar, assentar , solidificar, criar alicerces seguros dentro da insegurança vasta que é minha alma.A água pra limpar, varrer pra longe o restos e cinzas de mim mesma, num tsunami de água boa, que mata a sede das perguntas sem resposta.
Se eu tivesse um conselho pra lhes dar diria apenas: sempre escute sua mãe, naquelas horas em que a boca dela é utilizada pela força do amor maior de te conhecer desde óvulo, desde sempre.
Minha mãe sempre disse que eu devia fazer faculdade pra ser professora, desde que terminei o ensino médio lá em 1993, eu não quis, achava pequeno demais pra minhas ânsias juvenis ser apenas professora.
Eu queria apaixonadamente o direito, porque o confundia com justiça, que era o que eu queria.
Justiça social de quem na guerra fria sempre torceu pela URSS, de quem acreditava que o mundo é de todos e para todos, de que quem acreditava que não deviam existir senhores e escravos; que todo homem deve ser Senhor de si mesmo, de quem sonhava em ver as riquezas divididas entre todos num mundo sem misérias materiais, emocionais, culturais...
Minhas escolhas, ou deveria dizer meus impulsos, foram me levando pela correnteza pra rios que não eram meus, andei por desfiladeiros e vales sem rumo e não cheguei ao mar da minha consciência, perdi pedaços pelo caminho, perdi amigos, perdi amores, vi sonhos morrendo...morri junto algumas vezes.
Mas chegou o hoje, o derradeiro hoje, a oportunidade de dar um basta a tudo que me tornei sem querer me tornar...De voltar pra casa, pra dentro da minha consciência, alma e coração. A correnteza não me levará a lugares onde não quero ir, pra ser alguém que não quero ser. Ainda não sei com toda a certeza o quero ser, mas já tenho certeza do que não quero ser sob qualquer pretexto, correnteza, medo ou impulso.



Nenhum comentário:

Postar um comentário