Filhote acabou de sair de mala e cuia pra fazenda. A Aquidabam fica num corredor de vento medonho, na mesma direção dos parques eólicos de Palmas, se aqui já ta um frio de lascar, imagina lá! Entopetei a mala com um montão de roupas bem quentinhas e mais um trilhão de recomendações. Toda vez que eu vejo ele saindo de casa me bate uma certa agonia, toda mãe sente isso, eu acho!!!
Um pouco dessa agonia vem do fato de saber que ele vai lidar com gado matreiro, que tem uma porção de vaca brava na fazenda e que o piá não tem lá muito medo. Mãezinha com coração na boca até final da outra semana. Que amor e esse que não abandona a gente por um único segundo de vida? Não existe ex-mãe, a gente nunca mais se dissocia do cordão umbilical do afeto, uma vez mãe nunca mais apenas mulher.
Isso tudo porque tenho visto tanta coisa feia, porque meu primo, que eu cuidei quando criança, foi assassinado e toda vez que olho pra minha tia não consigo entender de onde ela tira forças pra continuar vivendo; então me bate medo, pavor...e eu não queria que meu filho saísse de casa hoje, com esse tempo feio, nesse frio todo...num dia de velório....eu não queria...
Mas o filhote é do tipo que se tem serviço pra ser feito não tem tempo ruim, e lá foi ele de bota, chapéu e mala...e eu aqui com frio, ingenuamente pedindo a um Deus, que eu nem sei se existe, pra que ele volte bem pra casa.
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