quarta-feira, 15 de abril de 2015

Eu andei.




Eu andei, e como andei! Estou  a quilômetros da mulher do mês passado!
Agora vou pra academia e faço ginastica.
Agora vou pra academia e treino caratê!
Agora saio da academia igual criança que ganhou doce!
Agora sorriu sozinha quando um de meus músculos fisga.
Agora faço curso de Ciências Politicas e leio Marx, Espinosa e Platão...tudo ao mesmo tempo!
Agora aproveito meu tempo pra ficar mais flexível, mais forte, mais inteligente e isso me deixa imensamente feliz.
Tenho sonhos e planos de curto, médio e longo prazo!
Aprendendo: disciplina!
Aprendendo: gratidão!
Construindo a pessoa que quero ser!
Todos os dias coloco um novo tijolo na construção da minha alma.
Todos os dias planto uma semente no jardim da minha vida.
Todas as noites reviso o que aprendi!
Voltei pra casa, agora há muito de mim em mim!


segunda-feira, 16 de março de 2015

Do verbo cansar.



Parei ali, a um passo do último...do abismo que  se abre debaixo dos meus pés: o da solidão excruciante! Parei como que se de atriz da minha vida passasse à observadora. Observei-me ali, parada, olhando para o abismo, vazia e seca, seca até de lágrimas. Vi-me dura, imparcial, sem emoções, sem brilho nos olhos, como se minhas partes moles tivessem calcificado e o que sobrou foi só a polidez social que me conduz a não magoar os outros mais do que eles suportam. Lembrei-me de Úrsula em Cem Anos de Solidão...queria atirar-me abismo abaixo, diluir-me como um punhado de sal no oceano, evaporar como a ultima gota de orvalho da manhã. E a frase escapou-me, como a confissão de um crime bárbaro no leito de morte:

-Cansei de ser EU!

Me ouvi pronunciar a confissão, senti o impacto irradiando-se pelas camadas da minha mente, ecoando peito adentro. Quis chorar, não pude! Abracei a verdade, não tinha outra alternativa, ela estava ali escancarada, assumida, cuspida pela minha própria boca. Repeti:

-Cansei de ser EU!

Já havia cansado outras vezes, mas jamais assumido! Cansei de tudo o que me compõe; cansei de mim e por continuidade de todos que me cercarão ao longo da vida, especialmente dos homens que comporão os meus afetos e onde o meu fracasso fica mais evidente.


Mas ter cansado de ser EU, não significa que desistirei....matarei por sufocamento a velha EU, os hábitos nocivos; como um cidade que se ergue no meio do deserto, construirei, tijolo por tijolo, a pessoa que quero ser....não caibo mais dentro do que era...não quero mais quem fui...

....

2015 chegou com esse presente, a maioridade de meu rebento. Um adendo, pra dizer que ele é o melhor filho do mundo todo e que o amo de todo o meu coração e para todas as vidas!!
O filhote foi morar em outro Estado da Federação, ingressou no mundo adulto e acadêmico. Não é fácil ou simples deixar o passarinho voar, o mundo é grande e há muitos perigos lá fora, não posso mais protege-lo de tudo, não mais, isso me dá um nó bem na moela kakakaka. Mas querendo ou não o tempo passou.
A maior dificuldade quando os  filhos saem de casa é o enorme vazio que a ausência física deixa, tudo fica muito silencioso e a conclusão de que eles não precisam mais de nós, talvez nunca tenham precisado tanto quanto achávamos! 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Na lista.

A minha melhor amiga/colega também é uma novata, no caminho entre a minha cidade e a cidade onde vamos trabalhar conversamos muito, numa dessas conversas:
Ela: Poxa na nossa regional não tem homem bonito, tu não acha? Eu só achei fulano mais ou menos!
Eu: Eu achei beltrano um gatão, mas tenho certeza que deve ser o mais galinha da empresa toda!
Ela: Por quê? Ele é tão quieto e parece sempre sério.
Eu: Porque meu feeling reconhece um cachorrão de longe. Tenho doutorado e Know-how nisso, quer apostar? Vamos perguntar pra sicrana(colega veterana de casa)?
Ela: Fechado.
Algumas horas depois:
Eu: Sicrana quem é o colega mais galinha da casa?
Sicrana: Beltrano com certeza.

Olhares de cumplicidade e gargalhadas incontidas.

Pensamentos.

Como não sei escrever de forma abstrata falo sempre das coisas que experimento. A primeira impressão nem sempre é a que fica, generalizar não é uma boa ideia! Colegas de trabalho, por exemplo,  nem sempre o mais simpático é a melhor pessoa, talvez o antipático se torne o “cara mais legal”. Foi assim comigo em várias ocasiões, a pior pessoa tornou-se a melhor e vice-versa.

O tempo, esse sábio silencioso, é quem vai mostrar. Mostrar quem é quem, do que cada um é capaz ou não, o que se esconde por trás das máscaras, cascas e camadas de verniz social.
Mas uma coisa é certa: o novo é sempre legal! No trabalho novo está sendo assim, alguns com quem fui instantaneamente com a fachada continuam sendo legais outros não, outros que achei antipáticos se mostraram excelentes pessoas. É claro que dois meses de convivência é tempo pouco pra medir caráter...mas dá pra ter uma pequena ideia.


O bom mesmo é fazer parte desses mundos diferentes acho maravilhosa a singularidade humana,  como nossos aspectos mentais e fisionômicos nos tornam únicos, como somos lindos! Quão bom é conversar, confraternizar e dividir nosso tempo! 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A ficha caiu!




Hoje comecei a empacotar as tralhas, várias caixas cheias  lacradas com fita crepe.
Mudança...toda atrapalhada...com medo...entusiasmada...tudo misturado às caixas que vão se amontoando!
Tentando desapegar do lugar, da casa, da zona de conforto, me agarrando a esperanças bobas de que toda essa loucura, que é a minha vida, faça algum sentido.
Os dias estão mais longos ou é impressão minha? Hoje trabalhei quatro horas, me estressei outras três, caminhei por uma, empacotei, guardei e pensei, pensei, pensei...

A melhor coisa do dia vou ter ido caminhar e conseguir dar uma corridinha de leve, tive um começo de infarto, mas parei a tempo. Cheguei em casa e me deu vontade de beber ai tive certeza: é tudo saudade de você!

Primeiro dia de trabalho, efetivamente!


Estava em treinamento desde 13 de novembro de 2014, hoje saí da teoria e fui pra prática. Posso afirmar que aguento isso por vinte anos, sossegada! Quatro horas que passam voando, pegar a estrada voltar pra casa e ter tempo pra fazer mais um montão de coisas ou nada, se essa for a vontade. Claro na prática a teoria é outra, e ainda tenho muito pra me sentir segura em tudo que diz respeito a minha função. Mas foi mais tranquilo do que pensei; pouca coisa me deixa nervosa ultimamente. Seria a maturidade?

Feliz com a nova etapa, feliz com o novo ano!

sábado, 3 de janeiro de 2015

Dos que amei.



Acho bom por no “papel”, por que  nunca saberemos o momento da partida, nem da nossa, muito menos dos outros.
Hoje com 38 anos posso dizer com certeza que amei. Amei  duas vezes!
A primeira vez que amei tinha 16 anos. Ele foi o meu “tudo”, o tudo de tudo! Ele é tão tudo que até hoje as minhas pernas bambeiam quando sou obrigada a dividir o mesmo espaço que ele, ele foi o médico e o monstro. Quando era bom, era muito bom; quando era ruim, era terrivelmente ruim! O primeiro amor, o verdadeiro dissabor, o assassino de toda a minha crença na felicidade plena. O pai do meu único filho, o cheiro que nunca esqueço, a dor que nunca para de doer por tudo aquilo que poderíamos ter sido.

Amei de novo aos 31 anos, um amor diferente...o amor da paz! Mas não sabia que a paz é boa! Não sabia que amar é rotina. Vivia em guerra desde que me conhecia por gente, das agressões físicas, dos abusos na infância,  das traumas psicológicos...como reconhecer a paz quando nunca se teve? Então a paz parecia monotonia....e monotonia me dava medo, era como estar morta. Eu te amava tanto e não sabia dizer, e não sabia reconhecer que aquilo era o que eu queria pra sempre. O teu abraço seguro, a tua alma tranquila, teu caráter sólido e tua inteligência sagaz...sei que me amaste! Perdoa por não ter sabido como fazer-te “especial”!

Espero com toda sinceridade amar novamente! Sentir a faísca divina incendiando todo meu ser, transformando a alma em brasa! No pulsar enlouquecido do coração sentir-me  viva outra vez!
Ainda amo os dois acima citados, porque o amor uma vez aflorado nunca morre.

Cada um seguiu seu destino, posso dizer com a verdade mais profunda da minha alma que desejo a eles que sejam amados, felizes e completos; que tenham boas companheiras, porque quem ama não pode desejar  menos que isso!