Acho bom por no “papel”, por que nunca saberemos o momento
da partida, nem da nossa, muito menos dos outros.
Hoje com 38 anos posso dizer com certeza que amei. Amei duas vezes!
A primeira vez que amei tinha 16 anos. Ele foi o meu “tudo”,
o tudo de tudo! Ele é tão tudo que até hoje as minhas pernas bambeiam quando
sou obrigada a dividir o mesmo espaço que ele, ele foi o médico e o monstro.
Quando era bom, era muito bom; quando era ruim, era terrivelmente ruim! O
primeiro amor, o verdadeiro dissabor, o assassino de toda a minha crença na
felicidade plena. O pai do meu único filho, o cheiro que nunca esqueço, a dor
que nunca para de doer por tudo aquilo que poderíamos ter sido.
Amei de novo aos 31 anos, um amor diferente...o amor da paz!
Mas não sabia que a paz é boa! Não sabia que amar é rotina. Vivia em guerra
desde que me conhecia por gente, das agressões físicas, dos abusos na infância,
das traumas psicológicos...como
reconhecer a paz quando nunca se teve? Então a paz parecia monotonia....e
monotonia me dava medo, era como estar morta. Eu te amava tanto e não sabia
dizer, e não sabia reconhecer que aquilo era o que eu queria pra sempre. O teu
abraço seguro, a tua alma tranquila, teu caráter sólido e tua inteligência sagaz...sei
que me amaste! Perdoa por não ter sabido como fazer-te “especial”!
Espero com toda sinceridade amar novamente! Sentir a faísca
divina incendiando todo meu ser, transformando a alma em brasa! No pulsar enlouquecido
do coração sentir-me viva outra vez!
Ainda amo os dois acima citados, porque o amor uma vez
aflorado nunca morre.
Cada um seguiu seu destino, posso dizer com a verdade mais
profunda da minha alma que desejo a eles que sejam amados, felizes e completos;
que tenham boas companheiras, porque quem ama não pode desejar menos que isso!