quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dia de combater!!



Hoje a Comissão da Mulher Advogada da Subseção de Chapecó está promovendo a Vigília pelo fim da Violência contra Mulher, na Praça Coronel Bertaso, das 18h às 22h. Para participar da vigília leve velas coloridas para a noite, com protetor de garrafa pet. Pode levar também chimarrão, pipoca, violão, apito e muito agito.


O texto abaixo foi retirado do maravilhoso blog da Lola. o original está lá.

Hoje é dia de combate à violência contra mulheres, e estou completamente sem tempo para escrever algo decente (a tag no Twitter é #FimdaViolenciaContraMulher). Mas esta semana tive uma discussão (amigável, espero) com um aluno quando falávamos da violência contra as mulheres. Quer dizer, é meio difícil falar disso como se fosse algo no ar, uma abstração, sem aquela equação de agressor e vítima (que, se sobrevive, preferimos chamar de sobrevivente). E o aluno não gostou de ver seu gênero, o masculino, sendo tratado como algoz. Tod@s nós já ouvimos essas queixas antes: que não são todos os homens, que não dá pra generalizar, que isso é injusto com os homens. Que não são todos os homens é tão óbvio que é ridículo que necessite de resposta. É lógico que não são. Mas são muitos homens. Se conseguirmos mudar a cabeça desses homens, fazê-los com que parem de ver mulheres como propriedade particular, já resolvemos grande parte do problema. Porque é esse sentimento de posse que faz com que homens sintam que podem fazer o que quiserem com “suas” mulheres: estuprá-las, esmurrá-las, matá-las se elas ousarem tentar se separar.
Gostaria de propor algo a cada homem que se sentir injustiçado com a acusação de que, sim, homens estupram, homens matam, homens são pedófilos, homens são serial killers (preciso mesmo explicar que não estou dizendo que todos os homens são tudo isso, apenas que a esmagadora maioria dos estupradores, pedófilos e serial killers são homens?). Use a energia que você gastaria pra desmentir esses fatos em outra coisa. Ao invés de gritar “Não são todos os homens!”, “Eu não sou assim!”, e “Assim você me ofende!”, gaste esse vigor todo pensando: o que você pode fazer para diminuir o problema? Mesmo que o problema não seja diretamente seu (afinal, você não é um agressor), ele é parte integral do mundo em que você vive. Aliás, no mundo em que eu vivo também. E eu não preciso ser agredida para lutar para que isso pare de acontecer com mulheres ao redor do planeta, preciso? Então você também não precisa agredir pra fazer deste o seu problema. Afinal, se tantos homens são agressores, é meio ridículo que uma pauta como combate à violência contra as mulheres seja apenas feminina. Tem que ser, acima de tudo, uma prioridade masculina. Portanto, assuma a sua parte: o que você pode fazer para que este problema imenso de toda a sociedade diminua (o ideal seria que desaparecesse, mas vamos começar pela diminuição)?
Permita-me algumas sugestões: se você tiver um blog, escreva sobre isso. Escreva sobre quando você começou a autoanalisar o seu sentimento de posse. Escreva sobre o que viu de desigual no relacionamento entre os seus pais. Escreva sobre o ciúme doentio que você sentiu aquela vez da sua namorada. Escreva quando descobriu que as mulheres merecem respeito. Por que escrever? Primeiro, porque você coloca esses sentimentos pra fora. Faz pensar. E, desta forma, você é capaz de convencer outros homens a fazer o mesmo. Mais do que eu, uma feminista confessa que eles vão olhar com desconfiança.
Que tal formar grupos de discussão de homens? Isso existe nos EUA entre homens feministas, homens que reconhecem que há algo de errado na sua formação, algo que faz com que sejam violentos com mulheres. Homens que querem mudar esse quadro. Nessas reuniões, eles discutem conceitos como o que é ser homem (é ser violento? É recorrer à violência para resolver conflitos? Quando esse aprendizado começou? Como apagá-lo?). Sabe, palavrinhas que para feministas (tanto mulheres quanto homens) estão ultrapassadas, mas que continuam vivíssimas no senso comum, palavras como hombridade, macheza, mulherzinha. Note que, discutindo esses conceitos, você estará não apenas atacando o machismo, como também a homofobia, que sempre caminha de mãos dadas com o machismo.
Fale com seus amigos sobre estupro. É, é tabu, eu sei, é aquilo que só psicopatas fazem na calada da noite, aguardando vítimas desconhecidas cruzarem o seu caminho. Pois bem: não é. A maior parte dos estupros não é cometida por psicopatas anônimos, mas por amigos e familiares da vítima. E, se as estatísticas apontam que quase 30% da população feminina no mundo já foi vítima de abuso sexual, é sinal que tem muito homem do tipo “longe do clichê do estuprador anônimo” estuprando. E não duvide: toda mulher tem uma história de horror pra contar. Histórias de horror que acontecem por apenas um motivo: por elas serem mulheres. Converse com seus amigos. Quando que vocês “forçam a barra”? Quando uma mulher diz não, ela deve ser levada a sério? (ahn, sim, deve, mas não se surpreenda se seus amigos, e algumas amigas, acharem que não). O que vocês homens podem fazer para que o estupro suma da face da Terra? Ou é demais sonhar com um mundo em que nenhum ser humano seja forçado a fazer sexo contra sua vontade?
Que outras sugestões você tem? Pense! É o seu mundo também. Faça a sua parte

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Contrarie o incontrariável!!!


O Brasil possui, historicamente, umas das piores distribuições de renda do mundo, e que permaneceu inalterada durante as últimas quatro décadas, com seus índices oscilando dentre as 10 últimas posições do mundo, dando os primeiros sinais de melhora somente a partir de 2001. Estatísticas mostram que a partir do último trimestre de 2002 a distribuição de renda no Brasil começou melhorar lentamente. Em 2004, ocorreu o primeiro avanço significativo para a diminuição da desigualdade econômica no país: a taxa de crescimento da renda per capita para os mais pobres foi de 14,1%, enquanto a renda per capita média cresceu 3,6% no mesmo período.Os dados acima mostram o que é um governo de esquerda comprometido com as classes mais carentes. Eu sou esquerda e voto nos candidatos de esquerda desde que me conheço por gente.

Nascemos num mundo “pronto”, com um sistema pré-estabelecido, com modelo e padrões de felicidades vendidos pela grande mídia, empurrado goela abaixo. O Sistema que aí está é uma grande M****, o acumulo de capital nas mãos de poucos às custas do empobrecimento e estagnação de muitos é injusto, antiético, desumano, mas passível de mudança.

Por isso não venda, não troque, não esqueça, não abandone, não negligencie aquilo que torna você um ser mais que humano. Não importa se aquilo que você alcançou como verdade seja o total oposto daquilo que te é imposto. Mesmo que por toda uma vida você se sinta como se fosse um peixe fora d’água, e isso te angustie, não se entregue, você não está errado, não está sozinho.

E se você, como eu, acredita que é possível contrariar um sistema, que é possível melhorar a vida das classes desfavorecidas, que é possível vencer o machismo e o preconceito, então dia 31 vote DILMA!!

terça-feira, 20 de julho de 2010

O Meu Amor



O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

Refúgio!


Toda vez que saio da cidade ao retornar, numa descida que não acaba mais, como se estivesse indo pro centro da terra, eu me sinto um pouco como se estivesse indo pra “Viscos”, (quem leu Paulo Coelho sabe do que estou falando). A cidade onde moro é praticamente uma aldeia encravada num vale montanhoso onde a neblina dá um toque todo misterioso...eu gosto daqui, gosto muito, muito daqui!

Essa aldeia é extremamente pitoresca ideal pra criar filhos saudáveis de mente e de corpo e ideal pra gente como eu. Morei numa cidade com aproximadamente 200 mil habitantes por dez anos, vivia na correria que a vida moderna impõe, estava estressada, tive depressão e não me sentia feliz, e sempre pensava em ir embora...até que fuçando encontrei a oportunidade pra saltar daquela vida pra essa vida.

O ritmo mudou e eu fui mudando junto e finalmente consegui “parar”!!! Parar pra pensar, pra ser feliz no agora...tanta coisa foi mudando em mim nesse último ano..sinto-me imensamente feliz com isso e grata aos céus por ser tão abençoada!

E quando a vibração da gente muda...muita coisa boa vai se manifestando; como bem diz aquela frase celebre: pra ter algo que você nunca teve tem que fazer algo que você nunca fez!!! Eu faço a minha parte, no meu ritmo e espero pacientemente que o Universo faça a sua.

A vida tem sua própria cadencia e tudo, tudinho mesmo, só acontece quando chega a hora certa e determinada, então vamos fazendo a nossa parte, vivendo bem e feliz hoje sem deixar de semear e desejar que o futuro seja ainda mais bonito, ainda mais feliz!

terça-feira, 29 de junho de 2010

Ahh o Amor!!!



Tirado daqui oh!!!

Saramago


Copiado do maravilhoso site de Carlos Ruas

A copa



Tão bom período de Copa do Mundo, não só por que a gente pode ir pra casa mais cedo, mas também por que é muito bom se emocionar, torcer pelo time que representa o nosso país!!

Fico com certa pena dos que torcem contra a seleção por que o Dunga não levou quem eles achavam que deveria ir...penso que se ele é o técnico e não “você” e por que com certeza ele tem competência pra isso....ninguém chega onde ele está de graça..não é mesmo???

Mas não era disso que eu queria falar...eu queria falar da figura mais querida dessa copa, do cara que pra mim é muito melhor que o Pelé...é um ser humano de alto gabarito, por que desceu ao inferno e sobreviveu, mais do que isso, deu a volta por cima, ele o meu querido Dom Dieguito Maradona....Sinto uma simpatia danada por essa figura...pelo seu jeito latino de abraçar, de torcer, de ser...

Só espero que a final não seja Brasil X Argentina...pois meu coração não vai agüentar...

Pertencer.

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.

Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.

Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.

Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.

Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o!
Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte.
Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.

No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.

Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.

A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!
Clarice Lispector

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Estamos com fome de amor


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!


Arnaldo Jabor.

Obs. Não sou fã do Arnaldo, mas achei que o texto tem verdade...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Chimarrão e poesia




O payador missioneiro
Sente o calor do braseiro
Batendo forte no rosto
E vai mastigando o gosto
Da velha infusão amarga,
Sentindo o peso da carga
Que algum ancestral comanda
Enquanto o mundo se agranda
E o coração se me alarga

Sempre a mesma liturgia
Do chimarrão do meu povo,
Há sempre um algo de novo
No clarear de um outro dia,
Parece que a geografia
Se transforma - de hora em hora
E o payador se apavora
Diante um mundo convulso
Sentindo o bárbaro impulso
De se mandar campo fora!

Muito antes da caverna
Eu penso - enquanto improviso,
Nos campos do paraíso
O patrão que nos governa,
Na sua sapiência eterna
E eterna sabedoria,
Deu o canto e a melodia
Para os pássaros e os ventos
Pra que fossem complementos
Do que chamamos poesia!

Por conseguinte - o Adão,
Já nasceu poeta inspirado,
Mesmo um tanto abarbarado
Por falta de erudição
E compôs um poema pagão
À sua rude maneira,
Para a sua companheira,
A mulher - poema beleza,
Inspirado - com certeza
Numa folha de parreira!

Os Menestréis - os Aedos,
Os Bardos - Os Rapsodos,
Poetas grandes - eles todos,
Manejando a voz e os dedos
Vão desvendando os segredos
Nas suas rudes andanças,
As violas em vez de lanças,
Harpas - flautas - bandolins,
Semeando pelos confins
As décimas e as romanzas!

Tanto os poetas orientais
Como os poetas do ocidente,
Cada qual uma vertente,
Todos eles mananciais,
Nos quatro pontos cardeais
Esparramando canções
E - no rastro das legiões
Do lusitano prefácio,
A última flor do lácio
Nos deu Luiz Vaz de Camões!

No Brasil continental
Chegaram as caravelas
E vieram junto com elas
As poesias - com Cabral,
Para um marco imemorial
Nestas florestas bravias
Perpetuando melodias
De imorredouro destaque:
Castro Alves e Bilac
E Antônio Gonçalves Dias!

Neste garrão de hemisfério
Quando a pátria amanhecia
Surgiu também a poesia
No costado do gaudério
Na pia do batistério
Das restingas e das flores
E a horda dos campeadores
Bárbara e analfabeta
Pariu o primeiro poeta
No canto dos payadores!

E foi ele - esse vaqueano
Do cenário primitivo,
Autor do poema nativo
Misto de pêlo e tutano,
De pampeiro - de minuano,
Repontando sonhos grandes;

Hidalgo - Ramiro - Hernández
El Viejo Pancho - Ascassubi
Mamando no mesmo ubre
Desde o Guaíba aos Andes!

Há uma grande variedade
De poetas no meu país,
Do mais variado matiz
Cheios de brasilidade,
De um Carlos Drummond de Andrade
Ao mais culto e ao mais fino,
Mas eu prefiro o Balbino,
Juca Ruivo e Aureliano,
Trançando de mano a mano
Com lonca de boi brasino

João Vargas - e o Vargas Neto
E o Amaro Juvenal,
Cada qual um manancial
Que ilustram qualquer dialeto,
Manuseando o alfabeto
No seu feitio mais austero,
Os discípulos de Homero
De alma grande e verso leve,
Desde sempre usando um "breve"
De ferrão de quero-quero!

Imagino enquanto escuto
Esse bárbaro lamento
Que a poesia é o som do vento
Que nunca pára um minuto,
Picumã vestiu de luto
A quincha do Santafé,
Mas nós sabemos porque é
Que o vento xucro não pára:
São suspiros da Jussara
Chamando o índio Sepé!



Jayme Caetano Braun

sexta-feira, 2 de abril de 2010

AQUELE AMOR



Ela pertence à espécie de mulheres que possuem um só amor em toda a sua vida. Ou amam de verdade apenas uma vez. Seria espécie de mulheres ou a maioria assim o é, mesmo sem o saber?

Também há homens de eterno amor, embora o machismo e as deformações de sua cultura e comportamento nem sempre os convença de tal. Ou não convença a maioria. Ou será que o fato de serem colocadores de semente por determinismo biológico os leva a não prestar a devida atenção à sua destinação para o amor?

No meio da conversa ela diz, de repente, que só gostou de verdade de um homem e eis que vai buscar lá entre papéis amassados, daqueles que esturricam o couro das carteiras, não um mas três retratos dele, que espalha, qual cartas de baralho, sobre a mesa do restaurante. E fala dele com a mistura de ternura e tristeza que assaltam as mulheres que não lograram viver com o seu amor, casar-se com ele, ter seus filhos, viver em função dele e dela, unidos, pois esta é a verdadeira vontade e destinação da mulher: viver ao lado do verdadeiro amor.

Sim, elas vivem de modo proibido se necessário, casam-se com outro, têm filhos, os amam fundamente, mas a verdade de seu ser é a do amor verdadeiro, até porque mulher vive para amar e por amor, o resto se ajeita. Podem até deixar seu amor dormitar por anos e parecer serenado. Volta, porém a qualquer apelo ou menção do nome dele, encontro fortuito na rua com um conhecido dos tempos do namoro ou da relação.

Como são comoventes e lindas na sua integralidade bíblica as mulheres quando expressam para os demais ou para si mesmas, o amor de suas vidas ou quando consultam, escondido, os retratos guardados, recortes, flores secas, a memória úmida das restantes lembranças em momentos de silêncio e solidão!

Abençoados sejam, porque são, os homens e as mulheres que na passagem por esta vida receberam um dia de alguém, ou deram, um amor único, original e definitivo. Abençoados sejam e para todo o sempre. Como o amor que existe apesar de todas as ternas e dolorosas circunstâncias que não impedem a sua verdade mas em muitos casos esmagam a sua plena realização.

Artur da Tavola.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A Felicidade possível



Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for.

O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros e trambolhões existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento.
A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos). A pessoa é impelida para a aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial.

A solução de toda situação de impasse só se dá quando uma das partes aceita perder ou aceita renunciar (e perder ou renunciar não é igual, mas é muito parecido; é da mesma natureza). Sem haver quem aceite perder ou renunciar, jamais haverá o encontro com a verdade de cada relação. E muitas vezes a verdade de cada relação pode estar na impossibilidade, por mais atração que exista. Como pode estar na possibilidade conflitiva, o que é sempre difícil de aceitar.

Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas.

Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver).

Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar.

Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc é tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido.
Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade.

Artur da Távola

sexta-feira, 19 de março de 2010

Compartilhar.


Eu já vivi grandes períodos de solidão, mas não falo de solidão imposta, daquela em que você está sozinho por imposição do destino, mas sim daquela em que você fica sozinho por querer. Onde conviver consigo mesmo não é uma cruz, e sim um prazer...é no silencio, na solidão que conhecemos mais de nós mesmos, recarregamos as energias, nos domesticamos ou damos assas ao ser selvagem que em nós habita...

É no sentir silencioso das batidas do meu coração que aprendi a ouvir o que ele fala...e a sublimar situações....Sublimei e sublimo a falta de amor paterno e materno, através da minha maternidade...dou pro meu filho todo a amor, a compreensão, a leitura de alma que não tive...e quanto mais dou mais tenho pra dar, é o paradoxo mais incrível do universo, sentimentos bons são assim, quanto mais você dá mais tem....E é assim que eu ando ultimamente transbordando sentimentos pelos poros, pelos olhos....e uma vontade infida de compartilhar....

Então eu compartilho da forma que posso, algumas pessoas queridas, e que estão próximas fisicamente, eu abraço, dou do meu tempo, da minha atenção, converso, tento transmitir bons insignes ...mas há muitas pessoas amadas que moram longe, longe....pra essas eu oro todo dia, penso nelas e meu coração se inunda de afeto, do desejo sincero de que estejam bem e felizes!

Sei que algumas dessas pessoas queridas não estão vivendo boa fase...mas sei que tudo é passageiro e que períodos sombrios talham nosso ser, sempre e invariavelmente saímos deles mais fortes, mais bonitos...é preciso apenas esperar o tempo passar, cuidando com muito carinho da gente mesmo, se amando, se afagando, se estudando, se educando....melhorando e perscrutando a mente...por que são nossos pensamentos negativos, nossa forma errônea de ver os fatos as pessoas que nos fazem sofrer... O mundo morra dentro de cada um de nós, o inferno não são os outros...o inferno é uma escolha da nossa mente...ser feliz ou infeliz é uma escolha!!!

Mas cada um tem um caminho, e todos os caminhos são bonitos...não posso mudar a mente dessas pessoas queridas, só posso amá-las do jeito que são...desejar profundamente a felicidade a cada uma delas....

sexta-feira, 12 de março de 2010


Seja no tempo que for e na forma que seja, o caminho é sempre um só; fazer o bem, viver no bem e evoluir sempre!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Namorar eu quero, e você?


Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.
Mas namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida; ou bandoleira basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado é quem não tem amor é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes; mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.
Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.
Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira - d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar.
Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.
Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

Artur da Távola

sexta-feira, 5 de março de 2010

......


Amor é síntese (Mário Quintana)


Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O meu amor maior!


Tão forte, tão teimoso...mas tão afetuoso...
Um sábio escondido no corpinho de criança...
Alguém que cedo já sabe o que vai ser, por que o sangue que
corre nas veias lhe chama pra vida campesina, herança maior dos Guimarães.

Eu sou tua fã filho, porque você é, e sempre será grande, naquilo que se deve
ser grande: no caráter, nos ideais, na coragem, na hombridade!

Eu te amo mais que tudo, serei sempre tua companheira, não importa as escolhas que vc fizer, se forem feitas com coração vou te apoiar e se algum dia o teu mundo desabar meus braços vão estar prontos pra te acolher e, se preciso, te carregar.

Feliz Aniversário!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Neruda sempre me faz companhia.



Gosto de ler antes de dormir, já é hábito.
Mas nos últimos dias estou insone...então a leitura tem
se estendido...enquanto o sono não vem vou lá conversar com
Neruda.

Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera ,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Perfeita pra mim hoje...


Here Without You



A hundred days have made me older
Since the last time that I saw your pretty face
A thousand lies have made me colder
And I don't think I can look at this the same
But all the miles that separate
They disappear now when I'm dreaming of your face

I'm here without you baby
But you're still on my lonely mind
I think about you baby
And I dream about you all the time
I'm here without you baby
But you're still with me in my dreams
And tonight, it's only you and me

The miles just keep rolling
As the people leave their way to say hello
I've heard this life is overrated
But I hope that it gets better as we go

I'm here without you baby
But you're still on my lonely mind
I think about you baby
And I dream about you all the time
I'm here without you baby
But you're still with me in my dreams
And tonight, it's only you and me
And tonight girl, it's only you and me

Everything I know, and anywhere I go
it gets hard but it won't take away my love
And when the last one falls, when it's all said and done
it gets hard but it won't take away my love

I'm here without you baby
But you're still on my lonely mind
I think about you baby
And I dream about you all the time
I'm here without you baby
But you're still with me in my dreams
And tonight, it's only you and me
And tonight girl, it's only you and me

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

.....

O homem, a mulher.

O homem é a mais elevada das criaturas;
A mulher é o mais sublime dos ideais.
O homem é o cérebro;
A mulher é o coração.
O cérebro fabrica a luz;
O coração, o AMOR.
A luz fecunda, o amor ressuscita.
O homem é forte pela razão;
A mulher é invencível pelas lágrimas.
A razão convence, as lágrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos;
A mulher, de todos os martírios.
O heroísmo enobrece, o martírio sublima.
O homem é um código;
A mulher é um evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo; a mulher é o sacrário.
Ante o templo nos descobrimos;
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter , no crânio, uma larva;
Sonhar é ter , na fronte, uma auréola.
O homem é um oceano; a mulher é um lago.
O oceano tem a pérola que adorna;
O lago, a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa;
A mulher é o rouxinol que canta.
Voar é dominar o espaço;
Cantar é conquistar a alma.
Enfim, o homem está colocado onde termina a terra;
A mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Medine Memi, choro por ti!




Me recuso a aceitar!!! Meus ossos doem, meu sangue ferve de indignação e meus olhos choram de dor.
Quando as mulheres vão ser tratadas como seres humanos, quando a “vida” vai ser mais importante que o machismo,
que as idéias ultrapassadas, que o religião estúpida?????

As sensações se misturaram ao ler a noticia que abaixo transcrevo. Indignação, impotência, tristeza, pesar, dor ...e uma quase vontade de desistir de acreditar no ser humano. Não posso conceber que uma família, que os pais possam enterrar uma menina de 16 anos viva por que ele tem amizades com meninos.

E no mesmo momento me vem a pergunta: o que eu posso fazer pra ajudar, o que eu posso fazer pra mudar essa realidade? Chego a conclusão que muito pouco, mas é o primeiro passo: educar meu filho para que ele veja e trate as mulheres como iguais.
É isso, educar com muito amor as novas gerações, para que elas sejam esclarecidas e não repitam as barbaridades das gerações de ontem e de agora.


Menina é enterrada viva pela família por 'falar com meninos' na Turquia

Uma menina de 16 anos foi enterrada viva por seus familiares que eram contra o seu relacionamento com garotos, na província de Adiyaman, informou nesta quinta-feira (5) a imprensa turca.
Embora os fatos tenham sido divulgados nesta semana, o corpo da adolescente foi encontrado em dezembro, após ter sido dada como desaparecida por 40 dias.
Segundo os legistas, a garota teria sido enterrada viva e consciente, porque a autópsia apontou que não houve sinais de violência ou envenenamento, mas achou uma grande quantia de terra em seu estômago e em seus pulmões.
Uma denúncia anônima ajudou a localizar o corpo, possivelmente um membro arrependido da família ou um vizinho. O pai e o avô da vítima estão presos preventivamente à espera de julgamento, ambos são acusados pelo assassinato.
Conforme a imprensa turca, o pai disse que família se sentia "infeliz" pelo fato da menina ter amigos homens, o que indica um novo caso de crime de honra.
Crimes deste tipo normalmente ocorrem em regiões atrasadas da Turquia e em bairros pobres das grandes cidades, quando o conselho familiar decide que um membro do clã violou as normas tradicionais da "honra".
Nestes casos, se incita as crianças da família a cometerem o assassinato já que as penas de prisão para estes são menores. Pelos cálculos de diversas ONGs ocorrem em torno de 300 crimes de honra por ano na Turquia.

Fonte G1.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Onde mora o desejo!


Mulher tem um encanto tão delicado. É capaz de se perfumar a noite para um fantasma. O que gostaria que dividisse sua cama. Que lhe penetrasse a vida e descobrisse os seus desejos. Que lhe tomasse nos braços e levasse sua alma até as estrelas.Mulher tem o gosto de todos os sabores. Desnuda suas vontades quando o homem certo lhe toca, lhe põe de pernas para o ar tendo seu corpo sob domínio. Uma mulher capaz de ser feliz sabe deliciar em instantes o que de mais sublime a vida oferece. O que importa o tempo quando o prazer vem e ocupa seu corpo? É fogo na lenha das entranhas e muito ardor que incendeia a cama cheirosa e macia feita especialmente para ‘ele’, o que consegue fazer levitar seu espírito.

Aonde mora o desejo de uma mulher? Tantos são os estudos para descobrir que pedacinho do corpo se estonteia quando faz sexo ou amor. Mas entre todas as hipóteses uma é a certa: o desejo de uma fêmea mora nos ouvidos. E o homem escolhido a dedo sabe dizer as palavras. Sussurra delírios e a faz escorregar em seu peito adentrando por entre os músculos viris.

Nenhuma técnica consegue arrebatar a verdade: o ponto G feminino é nos ouvidos. É escutando o que um ‘ele’ lhe diz que se entrega e se esgota de paixão.

Podem existir acrobacias no sexo, mas nada retira as amarras de uma mulher como as palavras certas, ditas com carinho e com a malícia sutil que vem da boca de um homem apaixonado por ela.

Há lenda de que é nos seios que fica louca, no beijo nas costas, nas mordidas pequenas em suas entrelinhas sedutoras, isso é bom mesmo, quem pode negar? Mas ninguém duvida que uma mulher adora escutar “Você é linda”, “Você é gostosa”, “Você me deixa louco”. Expressões temperos. Pimenta que alucina. Letras que torturam a libido.

É nos ouvidos que começa o estímulo ao desejo feminino. Quando ele a convida para sair, diz que está com saudade. Depois é só pegar com as mãos lindas a carne que já está macia. Ela se desnuda. Oferece as entranhas. O sangue fervilha e o cheiro é arrebatador. Serviço de primeira. Barreiras destruídas. Lacunas preenchidas. Medos e angústias? Para que? É no som das frases masculinas que a mulher descansa a autoestima.

O ponto G da mulher se localiza nos ouvidos. Lugar nobre e sexual feminino. E aquele que tiver uma questão de pele com uma fêmea, somado à conjunção de letras doces, sensuais, conversa macia, líricas, pode estar certo que a fará sobrevoar as nuvens.

Mulher capta o amor através da palavra. Mulher deseja escutar, homem tem que saber dizer. Se ele for um letrado sensual e elegante, vai arrancar da parceira suspiros em poucos minutos.

Olhos que brilham. Pele que acetina. Poros que dilatam. Fluidos que escorrem.

Detalhes de uma mulher embalados ao som que ecoa pela mente soltando flechas que atacam o coração.

Mulher guarda as frases que escutou em filmes românticos. Dos seriados que não lhe saem da memória. Expressões que marcaram para sempre a vida. Que dirá o que o seu homem sussurrou em momentos tão importantes?

Sexo mudo é morno e beira o frio. Sai mecânico, não tem enredo. Falta tema. Pode ter certeza, beijar é bom, mas o escutar, para uma mulher, é puro delírio.


Nenhuma técnica consegue arrebatar a verdade: o ponto G é nos ouvidos
por Beth Valentim em 08/01/2010 | 12:36
Texto retirado daqui óh: http://blog.bolsademulher.com

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Casetada!


Definitivo

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se
do sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...



Carlos Drummond de Andrade

Vida de adulto do *******


Você morou em Chapecó e polícia nunca te parou, você vem morar no fim do mundo e pimba....a polícia te para.
Você feliz da vida pega os documentos pra mostrar, afinal você é uma cidadã exemplar está em dia com a lei e pagas seus impostos e tributos rigorossssss opssss!!!

-Licenciamento atrasado!!!! Como assim? Eu paguei!!!!
-Pagou, mas não foi até o DETRAN regularizar o documento!
- Isso quer dizer que o Senhor (fdp) vai me multar??
- Eu não, conheço a Senhora, o problema é meu colega, novato é novato, quer mostrar serviço.

.....conversa vem, conversa vai...

- Ta não vamos te multar, mas vai pra casa, e não saia mais com o veículo até licenciar!

Quase néh!! Vida de adulto do ******, de uma *****.

Ótimo, por que eu tenho que ir pra Chapecó pra licenciar! Ta, mas trabalho o dia todo, com que tempo, eu pergunto.

***** PIPIPIPIPI....e ascende-se uma luz. Tem despachante pra que nesse mundo????

Pra te comer mais 50,00 reais. Ótimo vale o preço. Põe mais isso na conta e se foram 400,00 reais, mole.. mole...

Aproveito e já deixo o licenciamento de 2010 pago.

Pronto, até 2011 não preciso mais pensar nisso!!!

Obs: andar a pé é uma MMMMM!!!!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Divagando.


Sempre fui uma pessoa com ótima capacidade de adaptação.
Não tenho problemas em mudar de trabalho, de circulo de amigos, de cidade...enfim...de mudar.
Não tenho preconceitos quanto a cor, religião, ideologia, falta de ideologia, política...e acredito que cada um tem seu peso e faz um contraponto para o equilíbrio disso que chamamos vida.

Fico numa roda de intelectuais ou numa roda de gente comum com o mesmo espírito....o de que todo mundo pode te ensinar alguma coisa e de que posso acrescentar algo.

Mas raras vezes me pego no meio, na roda, todo mundo falando o tempo todo sobre assuntos dos mais variados e me bate uma vontade louca de ouvir o silêncio, foi assim ontem a noite....corri pra casa...peguei minha cadeirinha mais confortável, sentei na varanda de casa, escuridão total e um céu...milhares de estrelas piscando pra mim...o contorno das montanhas...e tudo faz muito mais sentido.....

Nesses momentos percebo que amo, desesperadamente, a vida....o filho, a família, os amigos...Que sou um pouquinho das centenas de pessoas com quem convivi, que cada um deixa algo, um olhar, um cheiro, um pensamento, um poema, o gosto por um estilo....um andar, um trejeito, um aperto, um calor, um sorriso, uma lágrima,um adeus, um chegar...e no mais profundo do meu coração desejo que todos sejam muito felizes!!!!!!!

É isso ai....

Arroz, feijão, bife, ovo. Isso nós temos no prato, é a fonte de energia que nos faz levantar de manhã e sair para trabalhar. Nossa meta primeira é a sobrevivência do corpo. Mas como anda a dieta da alma?

Outro dia, no meio da tarde, senti uma fome me revirando por dentro. Uma fome que me deixou melancólica. Me dei conta de que estava indo pouco ao cinema, conversando pouco com as pessoas, e senti uma abstinência de viajar que me deixou até meio tonta. Minha geladeira, afortunadamente, está cheia, e ando até um pouco acima do meu peso ideal, mas me senti desnutrida. Você já se sentiu assim também, precisando se alimentar?

Revista, jornal, internet, isso tudo nos informa, nos situa no mundo, mas não sacia. A informação entra dentro da casa da gente em doses cavalares e nos encontra passivos, a gente apenas seleciona o que nos interessa e despreza o resto, e nem levantamos da cadeira neste processo. Para alimentar a alma, é obrigatório sair de casa. Sair à caça. Perseguir.

Se não há silêncio a sua volta, cace o silêncio onde ele se esconde, pegue uma estradinha de terra batida, visite um sítio, uma cachoeira, ou vá para a beira da praia, o litoral é bonito nesta época, tem uma luz diferente, o mar parece maior, há menos gente.

Cace o afeto, procure quem você gosta de verdade, tire férias de rancores e mágoas, abrace forte, sorria, permita que lhe cacem também.

Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos, vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente, o que lhe provoca prazer de olhar, sentir, sorver. Entre numa galeria de arte. Vá assistir a um filme de um diretor que não conhece. Olhe para sua cidade com olhos de estrangeiro, como se você fosse um turista. Abra portas. E páginas.

Arroz, feijão, bife, ovo. Isso me mantém de pé, mas não acaba com meu cansaço diante de uma vida que, se eu me descuido, torna-se repetitiva, monótona, entediante. Mas nada de descuido. Vou me entupir de calorias na alma. Há fartas sugestões no cardápio. Quero engordar no lugar certo. O ritmo dos dias é tão intenso que às vezes a gente esquece de se alimentar direito.

Martha Medeiros

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Por que hoje eu estou Rock'n Roll!!!!


As ruas estão cheias dessa gente chata e absurda
Que faz do notório a sua única ambição
Movidos à dinheiro, alcool, óleo disel, gasolina
Cumprindo mais um dia sua estupida missão

Eu sentado aqui
Tentando o meu futuro garantir
Fodas, eu não tô nem aí... não tô nem aí...
Foda-se...

Tem dia que a gente não tem saco pra esse mundo escroto
A luz do sol irrita e os sentidos vão pro chão
E ainda há quem reclame pq acha que perdeu no jogo
E quanto mais careta o mundo fica mais doidão

Eu sentado aqui (tomando todas)
Tentando o meu futuro garantir
Fodas, eu não tô nem aí... não tô nem ai...
Foda-se...