terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Oscar Niemeyer - 102 anos de pura lucidez.


Se acreditasse em todos os elogios que colecionou ao longo da vida, o arquiteto Oscar Niemeyer poderia pendurar uma placa na porta do escritório: “Silêncio! Gênio trabalhando”. Mas, não. “Doutor Oscar” devota uma olímpica indiferença às glórias terrenas. Já perdeu a conta de quantos monumentos, palácios e edifícios projetou no Brasil e no exterior. São pelo menos 150 em quinze países, sem contar o Brasil. Vem estudando astronomia com amigos, numa prova de que a curiosidade intelectual não depende de idade. A bibliografia de e sobre Oscar Niemeyer não para de ganhar acréscimos. Nesta entrevista, o homem que passou a vida se declarando ateu faz uma confissão: gostaria de acreditar em Deus. Em matéria de política, não se incomoda em ficar na contramão da história. O comunismo pode ter virado pó para quase todo mundo – menos, é claro, para Oscar Niemeyer.

Se o senhor fosse chamado a escrever um verbete sobre Oscar Niemeyer numa enciclopédia, qual seria a primeira frase?
Niemeyer : “Diria que é um ser humano como outro qualquer – que nasceu,viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros.Passou a vida debruçado sobre uma prancheta.Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. É ridículo esse negócio de se dar importância.

Consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa,em que você pode consertar as janelas,acertar o aprumo das paredes,pintar.Mas, se o projeto inicial foi ruim,fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria:é bom,é ruim,é inteligente ou não. Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável,a gente tem de ser mais paciente com as pessoas,aceitá-las como elas são”.

Gilberto Freyre disse numa entrevista que o senhor era um arquiteto genial, mas era muito ignorante, porque passou a vida repetindo chavões marxistas. Críticos assim incomodam o senhor?

Niemeyer: “Não. Eu li Casa Grande & Senzala e gostei. É um livro muito bem escrito. Gilberto Freyre era um grande escritor…”

…Mas como é que o senhor recebia essas críticas?

Niemeyer: “Cada um pensa o quer. Nunca conversei com ele. Eu me lembro de ter me encontrado uma vez – corrida – em Pernambuco”.

O senhor transmite uma visão pessimista da vida – um certo enfado diante das coisas.Como é que se justifica tanto pessimismo num homem tão bem sucedido ?

Niemeyer : “Sou pessimista diante da idéia de que o homem ,quando nasce,já começa a morrer,como notou Jean Paul Sartre.Mas,na vida,caminhamos rindo e chorando o tempo todo : é preciso,então,aproveitar o lado bom da vida,usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são.Sempre digo : o importante é o homem sentir como é insignificante,é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos. Ultimamente, no entanto ,tenho me espantado como a inteligência do homem é fantástica ! Tenho conversado sobre astronomia.Como é imprevisível o que ele pode criar ! .

Numa dessas conversas que tenho tido com um amigo sobre o cosmo, ele me explicou que o homem é filho das estrelas. A matéria é a mesma! Então, é mais emocionante ser filho das estrelas do que ser filho da terra. Eu sempre dizia que a vida não teria sentido, o homem é filho da terra, como os outros bichos,os outros animais. Mas acho que o futuro será melhor.

Os mais inteligentes se queixam do mundo. O mundo tem prazeres e alegrias, mas a razão de a gente estar aqui é precária. Em todo caso,ninguém quer abandonar o espetáculo.

Entre os homens, a maioria é formada pelos que lutam, os que estão sofrendo, os que são humilhados. O drama do ser humano é ver o homem nascer e morrer. Ninguém quer nem pensar sobre este assunto. Os mais ricos estão se divertindo. Não querem pensar em nada : só querem usufruir as boas coisas da vida. Os outros nem têm nem tempo para conseguir viver um pouco”.

O senhor, que é um homem sem crença religiosa,em algum momento teve a tentação de acreditar em Deus ?

Niemeyer : “Venho de uma família católica – que veio de Maricá, eram fazendeiros. O meu avô foi do Supremo Tribunal. Tínhamos missa em casa,com a presença de vizinhos. Mas,quando saí para a vida,superei tudo isso.Vi que o mundo era injusto. Não acredito em nada. Acredito na natureza : tudo começou não se sabe quando nem como. Eu bem que gostaria de acreditar em Deus.Mas não. Sou pessimista diante da vida e do homem”.

O que o levou a não acreditar em Deus foi essa constatação de que o mundo era injusto?

Niemeyer : “O mundo é injusto,sem perspectiva. A indagação que a gente faz os pintores antigos já escreviam nos quadros : “De onde viemos ? O que somos ? Para onde vamos ?”. Quando eu era pequeno – tinha uns quatorze anos – já pensava na morte. Ficava meio desesperado quando pensava que o sujeito vai desaparecer, já não vai pensar em nada. Mas a vida é assim : o que a gente deve é procurar ser útil e dar as mãos”.

O poeta Joaquim Cardoso vivia dizendo ao senhor que era importante visitar os observatórios para estudar o céu. É este o motivo que o levou a se interessar por astronomia?

Niemeyer : “ Tenho conversado,no meu escritório,com um cientista que vem falar sobre o cosmo. É um assunto que interessa a gente- principalmente quando a conversa se encaminha para a esperança e a invenção . A gente vê como tudo é possível ! O homem,que parece insignificante e tão pequenino quando visto do céu, na verdade é o único elemento de inteligência no universo. Tudo é possível, então ! A gente lembra de que há cinquenta anos não existia televisão. Agora , a gente já admite a transposição da matéria ou que o homem possa viajar entre as estrelas. Pode até habitar outros planetas. Um mundo novo vem surgindo. E é fantástico!”.

O senhor sempre disse que via o homem como um bicho “terreno, biológico,sem mistérios”. Depois dos noventa anos de idade, esta visão de mundo mudou de alguma maneira?

Oscar Niemeyer : “A visão do mundo,não . O pessimismo é coisa antiga – antiqüíssima – que, no entanto, não leva ao niilismo. Jean Paul Sartre era pessimista: dizia que toda existência é um fracasso. Mas ele gostava da vida. Apoiou todos os movimentos populares e progressistas de libertação. Dizia aos amigos que gostava de ter dinheiro no bolso para dar de esmola. Uma coisa – o pessimismo- não tem a ver com a outra – o niilismo. O que acho, sempre,é que o homem tem de viver dentro da verdade, saber que não é importante. A disseminação dessa crença levaria o homem a uma posição mais modesta. Porque o homem precisa saber que a vida é curta mesmo. Isso não quer dizer,no entanto, que a vida deva ser marcada pelo niilismo. Não ! O homem continua a sonhar, a pensar nas coisas boas – de braços dados uns com os outros”.

Em que momento da vida o senhor adquiriu a certeza de que a arquitetura precisa ser bonita – e não apenas funcional ?

Niemeyer: “Tive pouca influência de Corbusier. Mas fui influenciado por ele no dia em que ele me disse : “Arquitetura é invenção”. Eu saí procurando esse caráter inventivo da arquitetura. Quando eu me lembro da Pampulha ou de Brasília,vejo que eu fazia as formas mais diferentes.Perguntaram a mim o que é que aquilo significava. Eu tinha de ficar dando explicações. É como digo : os mais pobres não usufruem. Mas,quando a arquitetura é bonita, os pobres podem parar e ter aquele momento de prazer ao ver algo diferente.

Quando a arquitetura é bem feita é fácil de compreender. A arquitetura é verdadeira quando é fácil. A minha arquitetura é assim: feita com a preocupação da beleza . Quer ser bonita, ser lógica e, principalmente,ser inventiva. Quem vai a Brasília pode gostar ou não do Palácio. Mas não pode dizer é que viu antes coisa parecida. Quem é que fez um Congresso com aquelas cúpulas? Quem é que fez as colunas do Palácio do Planalto? Aquilo é invenção, é arquitetura”.

O senhor se lembra quando foi a primeira vez em que Juscelino Kubitscheck falou ao senhor sobre o sonho de construir Brasília ?

Niemeyer : “Eu me dei com Juscelino desde o primeiro dia .O primeiro trabalho que fiz como arquiteto foi a Pampulha- a primeira obra que ele construiu. Pampulha, então, foi o início de Brasília : a mesma pressa, a mesma correria,os mesmos problemas econômicos para fazer a obra. Quando veio a idéia de Brasília, JK foi à minha casa, nas Canoas,no Rio. Descemos juntos para a cidade. Juscelino vinha dizendo : ” Oscar,vou fazer Brasília !.Vai ser a capital mais bonita do mundo!” .

Que comentário o então presidente Juscelino Kubitscheck fez ao senhor, ao ver Brasília tomando forma ?

Niemeyer: “Uma noite,quando estava sozinho no Palácio, Juscelino me chamou para conversar. Ficava divagando sobre as metas que iria cumprir. Já eram duas horas da manhã quando saímos. Juscelino nos acompanhou até o lado de fora do Palácio da Alvorada. Como era noite,o Palácio,branco,se destacava na escuridão. Juscelino,então,me pegou pelo braço e me disse : “Que beleza!”.

O trabalho era duro, dia e noite, mas ele nos entusiasmava com o liberdade que nos dava para que fizéssemos o que bem entendíamos.Era um momento de otimismo.Um dia, ele me telefonou : “Você tem problema de dinheiro.Eu queria que você fizesse,pela tabela do Instituto de Arquitetos,os projetos do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico”. Eu disse : “Não faço; sou funcionário”. Indiquei amigos que fizeram. Mas o convite de Juscelino mostra que ele se preocupava com a gente : estava querendo ser solidário. Tive a chance de lidar com pessoas que me compreendiam e me aceitavam.

Qual foi o último encontro entre os dois ?

Niemeyer: “Quando Juscelino estava em Paris,estive com ele. Eu ia ao apartamento em que ele vivia. Juscelino foi uma figura muito importante para a vida brasileira. A construção de Brasília foi um momento de otimismo e de esperança. Brasília foi aquele luta: a terra vazia, tudo por começar,sem estrada,sem conforto.Mas havia entusiasmo. Havia pressão de Juscelino e de Israel Pinheiro. A meta era : terminar de qualquer maneira. O prazo foi cumprido.

Brasília foi um momento estranho: vivíamos junto aos operários, freqüentávamos as mesmas coisas,as mesmas boates,com a mesma roupa. Aquilo dava uma idéia de que o mundo estava evoluindo,o tempo estava melhorando, iria desaparecer aquele barreira de classes.Mas era um sonho.Depois,vieram os políticos,vieram os homens do dinheiro.Tudo recomeçou : essa injustiça imensa,tão difícil de reparar”.

O medo que o sente de viajar de avião é famoso. A que grande encontro o senhor faltou por ter medo de viajar de avião?

Niemeyer : “Tinha combinado com Assis Chateaubriand de me encontrar com ele em Pernambuco . Chateaubriand foi na frente,eu iria depois.Mas ele foi -e eu não. Quando ele se encontrou comigo,dias depois,disse : ” Você agiu como um verdadeiro comunista!” . Mas ele gostava de mim; nos dávamos bem.

O medo de viajar de avião me atrapalhou muito. Um dia,eu estava em Brasília quando Juscelino me telefonou para que eu viesse com ele de avião para o Rio de Janeiro.Não vim. Viajei de automóvel. Houve,então,um acidente com o carro em que eu viajava. Passei quinze dias no hospital. O medo de avião não vem de nenhum raciocínio. É coisa minha mesmo. Não viajo quando não quero. Mas, muitas vezes, invento essa história de medo de avião porque não quero viajar”.

O senhor disse que tinha um certo “sentimento de culpa” por ter tanto medo de avião .É verdade ?

Niemeyer : …”Mas eu não gosto desse negócio de altura ! Tantas vezes voltei do caminho….Deixei de viajar.Uma vez,eu estava na Argélia.Quando chegou a hora de o avião sair – eu já tinha posto aquele balinha na boca – , eu disse : “Não vou !” . Peguei o meu colega e saí. Isso criou uma dificuldade, porque a mala já estava no avião. Mas viajei muito. Já embarquei três vezes num Concorde! É um sistema pra prático – que a gente tem de aceitar”.

O senhor uma vez escreveu: “minha posição diante do mundo é de invariável revolta” .Onde é que nasceu esse sentimento ?

Niemeyer: “Veio da miséria que nos cerca. Ninguém resolve. É uma luta de milhares de anos : a gente vê os mais ricos usufruindo tudo. Quando faço um projeto de um prédio público – por exemplo- procuro fazer algo bonito. Primeiro,porque esse é o caminho da arquitetura. Eu sei que os mais pobres não vão usufruir nada desse edifício, mas sei que, se o edifício for bonito, os pobres vão parar e ter um momento de espanto e alegria ao ver uma coisa diferente”.

O senhor – que gosta de futebol – participou do concurso para escolha do projeto para a construção do estádio do Maracanã. Como seria o Maracanã de Oscar Niemeyer?

Niemeyer: “O meu estádio seria pior. Naquele tempo,a idéia que tínhamos de arquitetura em relação a estádio de futebol era fazer uma única arquibancada do lado em que o sol não batesse na cara do espectador. Depois,ao começar a frequentar estádios,vi como era importante existir arquibancada também do outro lado. O sujeito vê o campo , vê o jogo,mas precisa ver também a alegria do estádio ! Então,um estádio circular,como o Maracanã,é a solução melhor. Passaram-se alguns anos, eu estava na casa de Maria Martins, em Petrópolis, quando chegou Getúlio Vargas,a quem eu nunca tinha encontrado. Getúlio olhou para mim e disse : ” Se eu tivesse ficado no governo,teria feito o seu estádio” .Tive vontade de dizer: “Era ruim. O outro projeto era melhor!” .

O senhor, como noventa e nove por cento dos brasileiros, pensou em ser jogador de futebol. O senhor tentou a sério?

Niemeyer: “Jogava bem no colégio. Eu me lembro de que um grande goleiro do Flamengo,o Amado,foi do meu tempo de colégio. Uma vez, ele veio me procurar para treinar no Flamengo. Joguei numa preliminar: Flamengo x Fluminense. Fiquei espantado com o estádio cheio de gente – por causa do jogo seguinte. Eu só pensava em futebol nos meus tempos de colégio. Joguei pelo Fluminense – como atacante. Gostava de driblar”.

Diz a lenda que o senhor já teve nas mãos um pedaço da lua, trazido por um astronauta americano. É verdade?

Niemeyer: “Quando eu estava em Paris, andava sempre com um grupo do qual fazia parte Ubirajara Brito,um cientista,um físico muito inteligente que tinha sido incumbido de estudar a lua,no laboratório em que trabalhava. Ubirajara Brito nos mostrou pedrinhas brancas da lua. O engraçado é que era uma pedrinha como outra qualquer. Tive vontade de ficar com uma daquelas pedrinhas…”.

É verdade que o senhor projetou uma casa para o seu motorista numa favela no Rio ?

Niemeyer: O meu motorista mora na favela da Rocinha, em São Conrado. É um amigo: trabalha comigo há quarenta anos.Fiz uma casa para ele lá,porque me dá prazer ser útil. A gente se sente mais tranqüila quando colabora. O fato de comprar um apartamento para Luís Carlos Prestes também me agradou (N:Niemeyer deu de presente um apartamento ao líder comunista,na rua das Acácias,na Gávea,zona sul do Rio).

Depois da queda do Muro de Berlim, o senhor continua comunista. Mas o chamado “socialismo real”,feito à base se partido único e economia centralizada,ruiu. O senhor não teme ser considerado um dinossauro?

Niemeyer: “Não.Nunca passou por minha cabeça a idéia de que o que houve na União Soviética tenha sido uma coisa definitiva. Aquilo foi um acidente de percurso muito natural. Foram setenta anos de luta e glória. Os soviéticos viajaram para o espaço. Marx inventou uma história fantástica. Criou uma esperança nos homens. Por que pensar que tudo acabou? Quem leu os clássicos soviéticos sabe que eles são patriotas demais para aceitar essa humilhação”.

Quando deixou o Brasil durante um período do regime militar, o senhor disse: “Resolvi viajar para o exterior com as minhas mágoas e a minha arquitetura”. A arquitetura de Oscar Niemeyer todo mundo conhece. Quais eram as mágoas?

Niemeyer: “O clima no tempo do governo Médici ficou ruim. Tive de ir para fora. Os que queriam me paralisar me deram a oportunidade de mostrar no exterior a minha arquitetura. Era o que eu precisava. Mas o exílio – até quando é voluntário – é muito duro.Você tem de aproveitar os momentos de calma para se divertir; a vida exige. Mas há momentos de pessimismo e de saudade. Você fica comovido com uma palavra, com uma coisa qualquer que lembre o Brasil, lembre a família, lembre o que estava acontecendo aqui: aquela miséria imensa, aquela perseguição. A gente se sentia infeliz, queria voltar. Mas a vida é assim.

Quando cheguei ao Brasil, fui direto ao quartel. Perguntaram numa sala fechada: “Doutor Niemeyer,o que é que vocês querem ?” . Eu disse: “Queremos mudar a sociedade” .O policial que me perguntava disse ao crioulinho que batia a máquina :”Escreve aí : ”Mudar a sociedade!” Neste momento, ele olhou para trás e disse : “Vai ser difícil…..”. Eu até achei graça. O que a gente queria era mudar a profissão daquele homem – por exemplo – ,para que ele tivesse um ofício melhor. A ignorância é que contribui para a manutenção do clima de injustiça – que não se modifica”.

O senhor sempre combateu os conservadores. Qual foi o brasileiro mais reacionário que o senhor já conheceu?

Niemeyer: “São tantos….Mas nunca me indispus por questões de divergência política. Tive amigos integralistas. Achava que eles estavam equivocados. Com certeza, eles pensavam a mesma coisa de mim . Mas podíamos conviver perfeitamente. O importante é que haja liberdade para que cada um pense o que quiser. A gente luta pelas coisas em que acredita, mas o tempo muda as coisas. Nasci protestando. Vou protestar a vida inteira”.

O senhor uma vez chorou ao ouvir uma música de Ataulfo Alves. A música faz o senhor chorar ainda hoje?

Niemeyer: “A música me trazia lembranças de casa, lembranças de amigos. Além de tudo, é bom chorar: às vezes, é preciso”.

O que é, então, que faz o senhor chorar?

Niemeyer: “Qualquer sentimento de pesar ou de saudade; um amigo que desaparece. Uma vez,eu estava subindo para o escritório quando um garoto,pobrezinho,veio vender uns biscoitos. Dei um dinheiro para ele. Peguei o elevador. Quando cheguei aqui em cima , a miséria daquele garoto parecia que era a miséria do mundo. Fiquei tão perturbado que mandei chamar o garoto. Aqui, combinamos que ele sairia da rua para estudar. A cozinheira logo achou que ele poderia ficar com ela por uns dias. O menino ficou uma semana, mas, depois, fugiu outra vez.Coisas assim é que deveriam incomodar todo mundo.
Sempre digo: para ser feliz, o sujeito tem de ter saúde e dinheiro, mas tem de ser burríssimo, porque pode viver como um bicho. Mas, desde que olhe em volta e veja que existe tanta gente sofrendo, a vida fica mais amarga”.

É verdade que existe uma fita em que o senhor toca com Tom Jobim ?

Niemeyer: “Sempre gostei desse negócio de música. É um momento de descanso. Eu sabia tocar umas coisas de violão,mas já esqueci muito. Uma vez, na brincadeira, a gente viu se eu o acompanhava. Tom Jobim era fantástico,assim como Chico Buarque, Vinícius de Morais…”

Diante de suas obras, Darcy Ribeiro disse que o senhor é o único brasileiro que será lembrado daqui a quinhentos anos.O senhor concorda ?

Niemeyer: “Darcy Ribeiro era amigo. E os amigos dizem tudo. Darcy Ribeiro era um companheiro bom : vivo,inteligente,seguro. Quando veio o golpe militar, ficou firme no Palácio, na tentativa de resistir. A vida às vezes faz a gente ficar mais otimista: é quando gente boa se revela cheia de qualidades”.

O senhor conseguiria definir o Brasil numa só palavra?

Niemeyer: “Esperança. Porque é o que a gente tem de ter”.

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A entrevista com Oscar Niemeyer foi publicada no livro “As Grandes Entrevistas do Milênio”( Editora Globo )

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O mais mais

O prémio "Sexiest Man Alive" (Homem Mais Sexy do Mundo) foi novamente parar às mãos de Johnny Depp, as leitoras da revista People elegeram-no o mais sexy de todos. Pela segunda vez, dado que o ator, de 46 anos, já ganhara o prémio em 2003. E eu quero dizer que se pudesse votar votava nele, acho Depp, de longe, o mais charmoso de Hollywood.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vergonha.

Ontem foi o dia Internacional contra a corrupção, e no DF se comemorou espancando e pisoteando os estudantes que se manifestavam pelo fim da corrupção e pelo impeachment de José Arruda, esse FDP que pra mim já devia estar fora do governo do DF, dentro de uma cela de cadeia.


Declaração dos Direitos Humanos



A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas e foi assinada em 10 de dezembro de 1948. Nela, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. Embora saibamos que boa parte deles não existe de fato, ainda assim, acredito que devemos comemorar e lutar (da forma que cada um puder) para o total cumprimento deles. E não ache que você não pode fazer nada, você pode sim, cada pequeno gesto pode modificar o mundo.

Comece hoje,com um pensamento positivo e poderoso em direção a Copenhague, para que nossos lideres assinem o tratado que pode salvar o clima e conseqüentemente o planeta.


Preâmbulo

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os todos gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do ser humano comum,
Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,
Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades humanas fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso, agora portanto,
A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos
como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo I.

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Artigo II.
1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
Artigo III.
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV.
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V.
Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI.
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Artigo VII.
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII.
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo IX.
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X.
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI.
1. Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII.
Ninguém será sujeito à interferência em sua vida privada, em sua família, em seu lar ou em sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII.
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Artigo XIV.
1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV.
1. Todo homem tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo XVI.
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.
Artigo XVII.
1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII.
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, em público ou em particular.
Artigo XIX.
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX.
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI.
1. Todo ser humano tem o direito de fazer parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII.
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII.
1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV.
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.
Artigo XXV.
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI.
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo XXVII.
1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.
2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XXVIII.
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIX.
1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX.
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Reforma Política.

É consenso já, pelo menos entre os mais esclarecidos, que a reforma política é uma necessidade imperiosa, urgente e um dos caminhos para combater a corrupção. Embora o governo Lula já tenha encaminhado duas propostas de reforma política ao Congresso Nacional, o mesmo, ainda não se dignou apreciá-las.

Veja a opinião de alguns estudiosos, entrevistados pelo G1:

"enquanto não tivermos instaurado um regime eficaz da prestação de contas e da responsabilização, não se tem solução para esses casos. E a situação piora por conta do foro privilegiado. Não que a abolição do foro acabaria com a corrupção, mas o benefício ajuda muito a incentivar os corruptos. É garantia de que não serão punidos", diz Romano. Ele aponta outra questão "mais urgente": a democratização dos partidos políticos. "Você tem os donos de partidos, que dominam as finanças, as convenções, que tiram do bolso os candidatos e as alianças, e não consultam o eleitor de base do partido." Roberto Romano

“o melhor seria limitar o financiamento privado para os partidos e que a prestação de contas fosse em tempo real na campanha e não posteriormente. "A grande dificuldade de acompanhamento que temos é quando o financiamento é para os candidatos e não para os partidos" Fernando Abrúcio

"Não digo custo apenas financeiro. Precisa distribuir secretarias, cargos, para ter apoio. Isso sem falar nos custos de campanha, porque a competição política é feita de maneira desleal. Isso tudo acaba incentivando a corrupção. Há ainda outro incentivo que é a certeza da impunidade. A corrupção sempre vai existir, não apenas no Brasil, e é preciso fazer reformas para reduzir esses custos. Uma forma seria proibir deputado de ocupar cargo no Executivo. Outra forma é reduzir os cargos de livre provimento (comissionados). (...) E o que vale, o que resolve mesmo é a cadeia. As pessoas não entendem porque não acontece nada com que faz algo errado. Depois a gente culpa o eleitor. Mas eu fico imaginando se não é muita responsabilidade para o eleitorado. A Justiça tem que funcionar e condenar”. Leonardo Barreto.

Ficamos aqui, na torcida, esperando pela aprovação da reforma política e também por uma punição real e efetiva aos politicos desonestos, e por favorque o povo comece a ter memória e consciência política.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

As heranças de FHC.

O Fator Previdenciário foi aprovado em 1999, como parte da Reforma da Previdência iniciada em 1998 no governo FHC. A Lei Nº 9.876, que cria o Fator Previdenciário, modificou os critérios de cálculo dos benefícios e foi um dos maiores ataques aos direitos do trabalhador no Brasil. Ele reduz de 25 a 40% as aposentadorias e prejudica principalmente os mais pobres e aqueles que começam a trabalhar jovens.

Com o Fator Previdenciário, um trabalhador urbano que possui 60 anos de idade e 25 anos de contribuição, e quiser se aposentar por idade, não receberá o valor integral de sua aposentadoria. Para recebê-lo, terá que trabalhar mais alguns anos para completar o tempo de contribuição mínimo. Irá se aposentar aos 70, sendo que a expectativa de vida média do brasileiro é 71 anos, segundo o IBGE.

Desta forma, o governo reduziu o número de benefícios concedidos aos 60 anos (homens) e 55 anos (mulheres), adiando a aposentadoria de quem trabalhou a vida inteira. Com isso, economiza R$ 20 bilhões por ano. O Fator Previdenciário, criado no governo FHC ignorou também o peso do trabalho informal, do desemprego e do trabalho juvenil na parcela mais pobre da população.

Da mesma forma acontece na aposentadoria por tempo de contribuição. Imaginemos uma trabalhadora e um trabalhador que começaram a contribuir aos 20 anos de idade e, ao completarem seu tempo de serviço (contribuição), aos 50 anos e aos 55 anos respectivamente: o Fator Previdenciário causará uma redução do benefício de cada um, no montante de 38% para a mulher e 26% para o homem.

Porém, agora tramita no Congresso o projeto de lei n.º 3299, do Deputado Paulo Paim, que mantêm a idade de 35 anos de contribuição para os homens e 30 para as mulheres, mas elimina o famigerado fator previdenciário. Aguardamos esperançosos a aprovação do projeto, para por fim a mais essa injustiça criada no governo FHC.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Hasta Siempre


Sempre gostei muito dessa música, mas não sabia qual a emblemática dessa composição. Então, pesquisando, descobri que quando Ernesto Che Guevara decidiu abandonar Cuba para lutar na África, em 1965, ele escreveu uma carta de despedida endereçada a Fidel Castro, que após sua partida a tornou pública. Ao tomar conhecimento dessa carta, Carlos Puebla, músico e compositor cubano, compôs essa canção.E hoje ela está tocando direto na minha cabeça, por que eu tenho disso e você?


Hasta Siempre
Composição: Carlos Puebla

Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso un cerco a la muerte.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.

Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.

Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.

Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos
y con Fidel te decimos:
hasta siempre Comandante

Coragem....


A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.

- Osho -

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Fim de ano.


Nunca fui muito articulada, nem pra falar e nem para escrever. Gostaria de ter a capacidade de expressar em palavras ou frases o quando sou grata ao Universo por ser tão abençoada.Ta chegando o fim do ano, daqui alguns dias mais um aniversário e fica impossível não parar pra fazer aquela avaliação do último ano. E esse foi um ano particularmente especial onde aprendi um bocado de coisas novas, sobre as pessoas, sobre o mundo, sobre mim. Coisas que eu já até sabia na teoria, mas... na pratica a teoria é outra....e na real precisamos de uns trinta e poucos pra assimilar.

Jamais, never teime com o Universo, ele está certo e você errado.

Perdoe incondicionalmente todos e tudo em especial você mesmo.

Deixe o passado no passado.

Pela sua vida vão passar pessoas maravilhosas, você vai se apaixonar por elas e elas por você, mas juntos vocês vão se fazer muito “mal” , deixe-as partir.

Em contrapartida, vão surgir outras pessoas ainda mais maravilhosas e juntos vocês serão muito felizes, por que se complementam.

Arrisque!!! Entre a comodidade e a incerteza fique com a incerteza e a mudança. Zona de conforto é morte na certa, morte dos teus sonhos, da tua vivacidade.

Toda ação gera uma reação, causa e efeito ou o mundo é redondo...então cuidado com o que você dá ao Universo e as pessoas.

Gentileza não custa nada, gratidão também não.

Ser feliz depende única e exclusivamente de você mesmo. Se você não está feliz a culpa é sua, pare, reflita e mude.

Aprenda a valorizar as sutilezas do dia-a-dia.

E pra terminar, se apaixone, ame, beije muito, pois é a melhor coisa da vida.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Itália.

TV italiana: um caso de presa fácil da indigência cultural

Por volta dos anos 70, Pier Paolo Pasolini, uma das mais lúcidas mentes italianas, sustentava que nada é mais feroz do que a banalíssima televisão. Se tal afirmação é válida naqueles países que transformaram o eletrodoméstico em um verdadeiro totem, na Itália ela foi esquecida.

Por Anelise Sanchez*, no Correio Caros Amigos
Passadas mais de três decadas, o entrelace entre mídia, poder e sociedade na Itália é ainda mais acentuado. Basta pensar que, nos últimos meses, alguns de seus principais jornais foram processados por difamação pelo premiê Silvio Berlusconi. O primeiro ministro pede à La Repubblica uma indenização de um milhão de euros pela publicação de um artigo que continha uma lista de dez perguntas mal esclarecidas sobre escândalos que o evolviam diretamente.

A caça às bruxas também inclui denúncias contra os jornais L’Unità e El País e um braço de ferro entre Il Giornale, propriedade de Paolo Berlusconi, irmão do premiê, e L’Avvenire, jornal católico. Depois depublicar críticas moderadas sobre a vida privada de Silvio Berlusconi e sobre a política de imigração de seu governo, Dino Boffo, diretor do jornal da CEI foi o protagonista de uma série de artigos publicados por Il Giornale, relevando o seu suposto envolvimento em um processo por assédio. O documento, anônimo, relata um caso de perseguição a uma mulher, com cujo marido Boffo teria mantido uma relação homossexual em 2004. “Se este é o tratamento reservado a jornalistas independentes, qual será o futuro da nossa informação?”, questionou o jornalista logo após o seu pedido de demissão.

As últimas divergências entre o líder do governo e a imprensa foram amplamente divulgadas pela mídia internacional, mas o que poucos sabem é que as pressões contra os poucos órgãos de informação que ousam criticar a política do premiê representam só a ponta de um iceberg.

Não é uma novidade o fato que, além de proprietário do grupo Mediaset, que reúne três dos quatro canais comerciais de TV da Itália, e da potente editora Mondadori, Silvio Berlusconi também possui ampla maioria no Parlamento; instituição responsável pela nomeação dos membros do conselho da RAI, a histórica televisão de estado.

Segundo o dossiê publicado em 2009 pela Freedom House, organização autonônoma com sede nos Estados Unidos da América, Itália e Turquia são os únicos países da europa considerados parcialmente livres no que refere-se à liberdade de informação. “A Itália retrocedeu no ranking porque o direito de expressão foi limitado por novas leis e crescentes intimidações aos jornalistas realizadas pelo crime organizado e por grupos de extrema direita, além da excessiva concentração na propriedade das mídias”, esclarecem os autores do documento.

Uma das normativas mais criticadas pela imprensa e magistratura local é o chamado “ddl intercettazioni”, um projeto de lei que proíbe os jornalistas de publicarem informações sobre o andamento de investigações policiais ainda não concluídas ou o conteúdo de escutas telefônicas, além de prever uma multa e a prisão de seis meses a três anos para quem descumprir a lei.

Apesar da limitada liberdade de imprensa sempre ter sido considerada pelo governo como um delírio dos jornais e dos partidos políticos de inclinação esquerdista ou como um complô contra o líder do Popolo della Libertà (PDL), em qualquer outra nação européia os últimos acontecimentos não deixariam de despertar a incredulidade e repreensão moral.

Em junho passado, durante uma convenção organizada em Santa Margherita Ligure para jovens industriais, o premiê convidou a platéia a não destinar a própria verba publicitária “aos meios de informação pessimistas”, referindo-se às publicações que tratam abertamente o tema da crise econômica mundial.

Mais recentemente, mostrando que não pretende renunciar à fórmula política-entretenimento, transformou o programa Porta a Porta, que vai ao ao em horário nobre, na TV pública, em um grande palco.

Em uma espécie de revitalização da política de panem et circenses, Berlusconi utilizou o programa para divulgar a entrega das chaves das primeiras casas destinadas aos desabrigados do terremoto de Abruzzo, enquanto a RAI adiou a volta ao ar de Ballarò, programa de atualidade política de seu terceiro canal, pela coincidência com o horário da entrevista do premiê na RAI 1.

O vértice RAI negou a existência de qualquer manipulação da TV estatal a favor do governo, mas outros programas televisivos considerados incômodos estão sendo revistos em função da nova estratégia empresarial adotada pela TV pública.

O caso mais polêmico é aquele de Anno Zero, programa apresentado pelo jornalista Michele Santoro. Já afastado da emissora em 2002 porque, segundo Berlusconi, “fazia um uso criminal da rede”, Santoro é alvo de novas críticas contundentes.

No último dia 24 de setembro, o tema de seu programa -“Há um perigo para a liberdade de expressão na Itália?” - provocou um acentuado mal estar na classe dirigente italiana. Assim, entre 7 e 8 de outubro, os diretores da TV de estado foram “convidados” a comparecer perante o Ministério Do Desenvolvimento Econômico para dar explicações sobre o suposta qualidade duvidosa do programa de Santoro.

Apesar de Anno Zero destacar-se como uma das principais fontes de publicidade para a RAI 2, com uma audiência média de 17,7%, um de seus principais personagens, o comentarista Marco Travaglio, seguido por milhões de telespectadores, ainda não teve o seu contrato renovado com a emissora e, caso não seja confirmado, uma das prováveis consequências será a perda de anunciantes publicitários e receitas para outras redes de TV.

O assédio contra o programa de Santoro também foi reforçado com os jornais impressos Libero e Il Giornale que convidam os próprios leitores a boicotarem a TV pública, deixando de pagar a assinatura anual da RAI. A campanha foi considerada “vergonhosa” para Paolo Garimberti, presidente TV de estado e, segundo Dario Franceschini, o líder da oposição de centro-esquerda, as críticas de Berlusconi à RAI são a "prova mais recente de que a sua intenção é usar a sua força econômica para condicionar e intimidar todas as vozes livres".

Contras as ameaças do governo, Santoro respondeu entrevistando, na semana seguinte, a garota de programa Patrizia D’Addario, e conquistando sete milhões de telespectadores. Ela revelou ter passado uma noite com o primeiro ministro italiano no Palazzo Grazioli. Claro que a vida privada de Berlusconi interesa pouco aos italianos, mas o fato não passou despercebido porque D’Addario teria sido recrutada por Gianpaolo Tarantini, empresário do ramo de próteses ortopédicas e que criou uma rede de influência entre os políticos do país para garantir o seu sucesso nas concorrências públicas realizadas pelos hospitais da região da Puglia.

Outra demonstração da falta de pulso da TV pública reside no fato de que um de seus poucos programas de jornalismo investigativo, Report,considerado uma pedra no sapato por muitos políticos e empresas nacionais, havia sido ameçado de não ter mais qualquer assistência legal grantida pela RAI. Isso significaria que, no caso de um eventual processo contra o programa, o jornalista autor de uma reportagem seria, enquanto pessoa física, o único responsável pela sua defesa diante da justiça. A TV só voltou atrás em sua decisão porque muitos italianos revoltarem-se e assim, no dia da manifestação italiana a favor da liberdade de imprensa, 3 de outubro, foi anunciado que Report continuará a contar com a tutela legal da TV pública.

Não é de hoje que a RAI transfomou-se em uma TV conformista, pouco atenta às críticas da inteligentia italiana, incerta em seu papel de tutor do pluralismo e vítima de uma letargia profunda.

Enquanto isso, a TV comercial, baseada na fórmula paetês e corpos seminus, continua a domesticar lentamente uma opinião pública à deriva. Em nenhum outro país europeu o sistema audiovisual assumiu tão rapidamente o status de filtro da vida política, assim como acontece na Itália.

Desde o início da carreira política de Berlusconi, com a fundação do partido-empresa Forza Italia, a TV revelou-se um alicerce indispensável ao sucesso de um personagem que soube como ninguém apaziguar os ânimos dos italianos logo após o fim da primeira república. No início da década de 90, com a dissolução da Democracia Cristã e a deposição e exílio do ex primeiro ministro socialista Bettino Craxi, Silvio Berlusconi soube reciclar profissionais de antigas siglas políticas e recolher os cacos da velha república para transformá-los em um partido patchwork criado à sua imagem e semelhança.

Um de seus grandes méritos foi saciar a fome de mudança de uma presa fácil; uma população conformista e desencantada com a partidocracia e pronta a delegar o poder a um chefe de estado showman.

No exterior, muito provavelmente não é fácil compreender como os meios de comunicação contribuiram para engessar a consciência coletiva italiana. Recentemente, a TV inglesa BBC, por exemplo, colocou no ar um Mock the Week, programa satírico com piadas irreverentes o comportamento de Berlusconi, mas por muito menos, na Itália, jornalistas estão sendo acusados por difamação.

Não é de hoje que autores como Jürgen Habermas discutem sobre mídia e esfera pública, mas um retrato fiel e atualíssimo desta nova Itália tragicômica é Videocracy, documentário lançado durante a última edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

De autoria de Erik Ghandini, italiano residente na Suécia, o polêmico documentário percorre os corredores do império audiovisual de Berlusconi, mas teve o seu trailer vetado pela RAI. O que salta aos olhos no documentário é como, na Itália, a chamada “TV spazzatura” (TV lixo) combinou-se perfeitamente com a política, transformando Berlusconi em um produto de massa e a fama na única ambição de uma inteira geração. "Aqui, se divertir é uma religião. Parece que é a única coisa importante para um italiano. O banal se transformou em uma arma do poder", comenta Gandini.

O documentário conta um pouco da rotina luxuriosa de Villa Certosa, mansão do premiê na Costa Esmeralda, na Sardenha, e de como para muitas jovens a maior aspiração é aquela de tornar-se uma “velina” e, em seguida, ingressar na vida política. (Hoje, a terminologia é usada para indicar uma showgirl ou dançarina, mas no passado era o comunicado que o departamento de censura facista enviava à imprensa especificando quais notícias estajam sujeitas a censura).

Se, no passado, França e Itália eram considerados territórios considerados como a última trincheira européia da diversidade cultural, hoje o que resta da TV italiana é o aniquilamento.

De modelo empresarial, o berlusconismo evoluiu para um ideologia política e, em seguida, transformou-se em um modelo de vida que parece sufocar as poucas vozes italianas que não renunciaram à força da indignação.

Atualmente, Berlusconi cumpre o seu terceiro mandato e ninguém dúvida que o seu grande projeto futuro será conquistar, sem pertubações, a presidência da República, cargo que até agora foi ocupado por homens que, por exemplo, participaram da resistência italiana.

A nação parece estar sendo engolida na famosa espiral do silêncio descrita por Noelle-Neumann, mas uma brecha contra a lobotomização da opinião pública ainda pode ser reaberta. Uma parte da Itália, aquela menos vísivel, está lentamente acordando de um sono profundo, depois de entender que não se muda um país permanecendo sentado na própria poltrona de couro ou, no caso da mídia, aceitando intimidações. Prova disso é o o grande sucesso da manifestação italiana a favor da liberdade de imprensa e o lançamento de Il Fatto Quotidiano, o primeiro jornal independente do país que em poucas semanas conquistou mais de 30 mil assinantes. O primeiro, esperam em muitos, aliado de uma Itália que não quer se calar.


Texto muito bom, retirado daqui oh: www.vermelho.org.br

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sentindo.

Comecei o ano trabalhando com a minha querida Mari, como já fazia no ano passado, em fevereiro resolvi montar escritório próprio, fui lá meti a cara, e olha deu super certo, mas...em abril saiu o resultado de um outro empreendimento do ano anterior, resolvi apostar nele, e em julho mudei de cidade, já estamos em outubro e o tal empreendimento ainda não se efetivou...ok tudo bem, meu segundo nome é paciência.

Mas de tudo o que aconteceu o melhor foi trocar de cidade, estranho isso! Eu nunca me senti tão em casa como me sinto aqui. Olho para as montanhas que me cercam e me sinto parte delas....agora eu entendo aquelas explicações dos livros, do terapeuta...de que o coração da gente tem as respostas, que encontramos a felicidade quando fazemos as escolhas certas e trilhamos o caminho que é nosso.
É assim que eu me sinto nos fins de tarde, quando sento pra matear com as montanhas na soleira da minha porta. Abençoada vida, abençoadas escolhas...se meu segundo nome é paciência meu primeiro é felicidade.

Um viva as diferenças.

Como as diferenças são bonitas e como é bom ter capacidade de respeitá-las e apreciá-las. Digo isso pensando no meu filho e na religiosidade que ele escolheu para ser dele.

Quando o Yan Lee nasceu, pra contrariar a maioria eu não o batizei na Igreja. Somos uma família Católica Apostólica Romana desde sempre, e quando digo família falo na grande família (desde bisavós, tios, sobrinhos etc.). Pois bem, como fui obrigada a freqüentar a catequese por 7 anos e mesmo assim acabei abandonando a fé Católica, não vi o porquê infligir ao meu filho tal disparate.

Não batizei meu filho, por conseguinte ele não freqüenta a catequese, deve ter entrado em Igrejas umas 3 ou 4 vezes na vida dele. Mas, o danado, não sei como nem por que desenvolveu uma fé tamanha em duas entidades católicas. Uma é o Anjo da Guarda e outra é Nossa Senhora Aparecida.

A devoção dele é tão grande e tão bonita. E eu que adotei outras filosofias religiosas me rendo à fé pura e simples de uma criança. Que mesmo não tendo sido catequizada criou sua própria fé. E uma fé invejável. Porque tudo o que ele pede pra Nossa Senhora incrivelmente se realiza.

Então refazendo meus conceitos e respeitando as diferenças comprei uma bíblia ilustrada para crianças e uma imagem linda de Nossa Senhora Aparecida e dei de presente pro meu filho.

E a felicidade brilhante naqueles olhinhos me fez entender que cada um nasce com suas próprias verdades que na maioria das vezes vão ser muito diferentes e até antagônicas a nossa verdade. Mas que bom que é assim! Que bom que nascemos e vivemos num país, que apesar das inúmeras mazelas, é um país com liberdade religiosa, onde você pode escolher a sua verdade sem ser queimado na fogueira. Bendito século XXI.

Cada um sabe a dor e adelicia de ser quem é.

“No mundo inteiro, não há ninguém como eu. Sou dona de meu corpo, dos meus pensamentos, das minhas idéias. Pertencem a mim as imagens que meus olhos contemplam e eu preciso saber escolhê-las. Possuo minhas próprias fantasias, meus sonhos, esperanças e medos. Uma vez que sou dona de mim, preciso me conhecer intimamente e possibilitar que todo o meu eu trabalhe a meu favor. Há aspectos em mim que me confundem, outros que não conheço. Mas esteja ou não de acordo com tudo o que sou, é autêntico e representa o momento em que vivo. Tenho ferramentas para melhorar, para ser produtiva, e para organizar o que está desajustado. Sou dona de mim. Sou eu mesma e estou bem”.
Do livro Canja de galinha para a alma (Ed. Ediouro)

Pérolas do Yan

Eu e o filhote sábado a noite olhando a seção de brinquedos da Havan, olho para uma prateleira cheia dos meus heróis da infância, claro repaginados e mais coloridos:

- Olha só que linda essa Mulher Maravilha. Eu adorava a liga da justiça quando eu era pequena. Na verdade eu sempre sonhei ser a Mulher Maravilha.

-Mas você é. Você é a Mamãe Maravilha.

Abraços e muitos beijos, por que um filhote desses não acha em qualquer lugar.


No outro dia lá vou eu bancar a taxista, e leva o filhote e o amigo pro estádio assistir o Verdão socar 3 a 1 no Avaí, (isso não tem preço). Depois as 18 horas enfrenta um transito de louco e vai buscar o filhote, e vai pro centro da cidade fazer buzinasso feliz da vida. Lá pelas 19 consegue sair da avenida e:

- Olha filho a mãe tem quer ir pra casa agora, por que depois eu quero sair pra dançar.
- Onde você vai dançar.
-Vou em tal lugar.
-Ah lá eu deixo por que a Mari valou que é bem seguro. Daí eu não vou ficar preocupado.
-Não precisa se preocupar Yan a mãe sabe se cuidar.
-Que horas você volta?
-Lá pela meia noite. Mas pode ire dormir quando vc tiver sono.
-Não, eu vou esperar vc chegar.
-Por quê?
-Por que eu não vou conseguir dormir até vc chegar, e eu ver que vc está bem.

Meia noite e tombo chego em casa, e lá está ele de pijama, com carinha de sono,
e me recebe com um sorriso que faz a vida valer.