Eu queria falar de um amigo muito querido/louco; só que pra
isso preciso contar uma historieta um pouco antiga.
Era o ano de 1987 juntamente com minha família vim residir
em Ponte S., eu tinha 10 anos, magrela, pequena e sardenta.
No referido ano ingressei na 5ª série, troquei de cidade, de
amigos, de professores...tudo ao mesmo tempo.
Na minha turma da 5ª série eu conheci esse amigo, ele era um
terror..., três dias de aula e ele já me arrumou um apelido, que na época eu
detestava: FERRUGINHA.
Esse amigo e um outro que agora mora longe, eram meus
algozes...arrancavam meus prendedores de cabelo, implicavam com o modo como eu
pronunciava a letra R, me chamavam de ferruginha, roubavam meu lanche.
Os primeiros seis meses foram de angustia e raiva, passado
isso eu já não era diferente e fui englobada ao grupo.
O gordo e o magro já não roubavam meu lanche, já não
arrancavam os meu prendedores, mas o apelido não teve jeito...pra eles acho que
sempre serei a Ferruginha.
Depois de algoz, foi amigo, depois de amigo foi amor platônico,
amor de criança, depois amigo e mais depois o tempo se encarregou de nos dar
vidas bem diferentes.
Ele é de família conceituada na cidade, uma família de
posses. Um irmão formado engenheiro civil, o outro formado em direito e o meu
amigo não quis estudar.
Ele é um homem do campo, sólido como a própria terra!
Extremamente doce em sua grossura! O próprio Shrek!
Em 1999 eu sai de Ponte S., em 2013 eu retornei.
Um mês após voltar um carro para na porta de casa e eu ouso
a seguinte frase:
- Voltou Ferruginha!
Eu soltei uma daquelas gargalhadas tão boas!
Ele tem sido um alento no meio de toda a tempestade que a
minha vida é, amigos são tesouros tão raros e tão especiais, nem sempre a gente
diz a eles o quanto são importantes e quanto significado há na amizade que
mantemos.
Só eu sei a imensa alegria de ter redescoberto esse amigo!
O quanto sua simplicidade e sua bronquice me fazem rir e
reviver momentos sagrados da minha infância.
Ele jamais saberá dessa homenagem, porque não gosta dessas
modernidades...
Ele tem soltado tantas pérolas em nossas conversas, que eu
decidi que vou começar a anota-las.
Ele pode não ter feito faculdade, mas na escola da vida ele
já é doutor faz tempo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário