terça-feira, 14 de maio de 2013

Leitura




Conselhos de leitura, estou terminando de ler CEM ANOS DE SOLIDÃO, de Gabriel Garcia Marques....amei a leitura, é complexo e longo, mas é a apaixonante a capacidade de narrar fatos e descrever personalidades.

Tirei um trechinho que pra mim é um dos melhores.

Começou a cometer erros tentando ver com olhos as coisas que a intuição lhe permitia ver com maior claridade. Certa manhã jogou na cabeça do menino o conteúdo de um tinteiro, pensando que era águas de colonia. Ocasionou tantas dificuldades com a teimosia de intervir em tudo, que  se sentiu transtornada por crises de mau humor, e tentava vencer as trevas qui finalmente a estavam tolhendo como uma camisa de teias de aranha. Foi então que lhe ocorreu que a sua inabilidade não era a primeira vitória da decrepitude e da  escuridão, mas uma falha do tempo. Pensava que antigamente, quando Deus não fazia com os meses e os anos as mesmas trapaças que faziam o turcos ao medir uma jarda de percal, as coisas eram diferentes. Agora não apenas as crianças cresciam mais depressa, mas até os sentimentos evoluíam de outro modo.
....
Lembrando-se dessas coisas, Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo  de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria  perturbação e sentia desejos irreprimíveis  de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
- PORRA! - gritou.
Amaranta que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? - perguntou alarmada.
-O QUÊ?
-O animal! - esclareceu Amaranta.
ÚRSULA PÔS O DEDO NO CORAÇÃO.
-AQUI - disse.


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