terça-feira, 28 de maio de 2013

Meu amigo C.



Em 1998 eu ingressei na faculdade de direito e lembro como hoje do primeiro dia que sentei na Cantina da faculdade pra comer um lanche contigo, e de como nos tornamos amigos com tanta naturalidade, como se já fossemos velhos conhecidos.
C. era quem me dava carona pras festas da turma, já que eu vinha de fora da cidade de ônibus e tinha que voltar até as 23:00hs pra pegar o mesmo ônibus e voltar pra casa.
E nossa amizade foi sempre muito sincera até que no ano de 2001 depois de uma bebedeira homérica acabamos ficando. Tive por esse amigo uma paixão devastadora, avassaladora, culpa em boa parte da minha baixa estima e imaturidade. Fiz loucuras e paguei micos que só quem era minha amiga naquela época sabe.
Ele me dispensou elegantemente e covardemente, porque a gente sabe quando o outro está tão ou mais envolvido que gente. Doeu demais,  na época foi difícil mas mantivemos a amizade.
No ano de 2009 quando terminei um outro relacionamento e estava bem triste, C. me ligou convidando pra assistir um jogo do Grêmio num bar da cidade, fui, assistimos o jogo e fomos sentar num outro bar pra conversar.
Depois de todo aquele tempo eu ouvi desse amigo tão querido, tudo o que ele deixou de me dizer na época.
Que ele foi perdidamente apaixonado por mim, que ele sabia que eu tinha sido a ultima chance dele ser feliz, que ele tinha sido covarde, e tantas outras coisas que não cabem serem expostas aqui.
Eu disse pra ele: -  Você talvez tenha sido covarde,  mas a tua covardia foi uma covardia inteligente. Você fez a escolha certa, manteve de pé a tua casa, o teu casamento e ainda continuamos amigos.
Desde 2009  recuperamos e restauramos essa amizade, porque a paixão foi erro de percurso! Conversamos sempre que possível  sobre todos os assuntos, principalmente política, futebol e filhos.
Semana passada ele me chamou no bate papo contando que estava no hospital a cinco dias com sua mãe, que ela estava muito doente, senti que ele precisa apenas que alguém dissesse que ia ficar tudo bem e um sincero conta comigo!
São coisas simples de serem ditas, mas a gente não quer ouvir isso de qualquer pessoa, a gente quer ouvir isso dos amigos de verdade, daqueles que conhecem  nossas piores torpezas, que conhecem as sombras de nossa alma e que mesmo assim nos querem bem.
Vi nesse pedido de socorro toda a força da nossa amizade, e agradeci aos céus pela tua covardia.

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