quinta-feira, 16 de maio de 2013

As dores de ser mulher!




Ontem eu fui quebrar um galho pra outro colega, fazer uma audiência numa Comarca vizinha.
Recebi a pasta de manhã, dei uma lida parecia uma corriqueira audiência conciliatória com recolhimento de DNA.
Cheguei lá e me deparei com um monte de mulheres com seus filhinhos e filhinhas no colo. Mães de 30, 20 e poucos anos, e duas meninas do abrigo com 16 anos e filhas de 2 anos, portanto mães aos 14 anos.
Um dos casos me chocou pois a mãe, de 16 anos, estava lá pra fazer o teste de DNA da sua filhinha de 2 anos, fruto de um estupro do próprio pai adotivo. Sim, ela viveu num abrigo até os 6 anos de idade, quando então foi adotada, o homem que a adotou também a estuprou e engravidou, e aos 14 anos ela teve que voltar pro abrigo, e agora criar sozinha uma filha.
O caso que eu fui atender é tão triste quanto anterior.
Uma mulher de 32 anos, de 1.50 de altura, pequena,  frágil por fora, uma gigante por dentro.
Ela viveu 6 anos com um homem, com quem teve 2 filhos; uma menina que hoje tem sete e um menino de um ano e meio.
Quando seu filho estava com 32  dias de vida o seu então companheiro e marido há 6 anos, deu 4 tiros em seu sogro, um tiro na minha cliente, um tiro na filha do casal, uma coronhada  na sogra, que estava com o bebe no colo, a criança caiu e batendo a cabeça.

Por uma vontade superior, e depois de ficarem na UTI por mais de 10 dias( minha cliente, o pai, sua filhinha) sobreviveram, bem como o filhinho e sua mãe.

Pra justificar a carnificina este homem diz que fez isso por que era corneado pela esposa...que belo motivo não?

Não bastece ter sido quase assassinada juntamente com toda sua família, essa mulher ainda foi obrigada a fazer um exame de DNA pra comprovar que o desgraçado é o pai biológico do seu filho.

Além disso tem que andar na rua se impondo, porque afinal um homem não atiraria na própria esposa se ela não merecesse! HIPÓCRITAS, SOCIEDADE HIPÓCRITA E MACHISTA DE MERDA!

Essa gigante de um metro e meio criará seus filhos sozinha  e com dignidade, enfrentando não só a sua dor, como a dor de seus entes queridos, de uma filha de 7 anos que não entende por que o pai lhe um tiro no peito.

Essa mulher lutará até o fim, porque é feita do material mais resistente do universo: O AMOR DE MÃE!

F. você é uma heroína, não há outro adjetivo pra te descrever!

Durante a vinda pra casa eu me permitir chorar por mim, por F., por todas as outras mulheres desse mundo, por todos os séculos de escravidão e servidão, por todas as agressões verbais, físicas, morais e sociais que ainda padecemos!

Mas que a sociedade fique bem ciente: NÓS NÃO ACEITAMOS MAIS ISSO!

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