Ontem fui pro único barzinho mais ou menos da cidade, tinha
som ao vivo, a música estava boa, tocou de tudo, Raul, Bee Gees e é claro o bom e velho sertanejão/dor de
corno.
O bom é que com o tempo a gente vai se conhecendo, eu sei
quanto cerveja cabe no meu organismo, o limite entre o estou bem e facerinha e
o enfiei o pé na jaca. Quando cheguei no meu limite alcoólico, abstrai a
música, todas as conversas das pessoas e fiz uma viajem de
observação...antropologia , tai uma coisa que devei ter estudado.
Na minha modesta pesquisa de campo observei que existem
muitas mulheres lindas, bem vestidas, educadas e solitárias; que os homens disponíveis
são feios, cachaceiros, e nada educados. Vi muita gente da velha guarda(do
tempo que eu era adolescente) perdido lá no bar.
Fiquei pensando o que motivou aquelas pessoas a saírem de
casa, o que nos leva pro convívio social, além da obrigação? Meninas e
mulheres, maquiladíssimas, com o cabelo pranchado(qual o problema em ter
cachos, eu acho lindo), com suas roupas, sapatos e bolsas de grife.
Eu e uma outra louca éramos as únicas mulheres sem um reboco
na cara, apesar dela estar bem melhor vestida do que eu. Não tenho saco pra
impressionar ninguém, ou tentar impressionar, porque a maioria desses homens
nem olha pra roupa, olha direto pro decote ou pro tamanho da bunda. Quer dizer,
não quero um homem assim, e não faria o menor esforço pra ter um assim...eu
sei, a solidão pesa e maltrata, por que a gente não foi feito pra estar sempre
só ....mas tem coisas que não valem a pena.
E lá pelas tantas pensei que eu gostaria de conhecer o
futuro amor da minha vida numa
segunda-feira, quando estou faxinando a casa, ou plantado minhas flores no
jardim, por que se esse homem olhar pra mim em trajes nada bonitos, com o
cabelo desgrenhado, com minhas rugas
todas a mostra e enxergar todo o esplendor do que é ser real, e gostar do que é
real, aí sim, eu vou saber que está ali
um homem que vale a tentativa, a aposta, o risco.
No bar, na balada, em muitas situações da vida o que nos é
apresentado é somente a casca, a máscara social, a mascara psicológica de
defesa ou de ataque....Real mesmo é a segunda de manhã.
Depois de todo esse devaneio, paguei a conta e vim pra casa,
feliz! E minha felicidade veio de observar as pessoas, o mundo, mas
principalmente o meu mundo interno e saber que eu sei usar máscaras se eu
quiser, que elas estão disponíveis na vitrine da minha mente. Eu posso bancar a
Advogada e parecer que acredito no sistema, posso bancar a sexy e colocar uma
roupa extravagante só pra me sentir desejada, posso bancar a indiferente e
passar por um ex-amor fazendo de conta que ele não existe, posso bancar a
boazinha e ser boazinha...mas minha sorte é saber que tudo isso são máscaras e
reconhecer a verdadeira pessoa que existe dentro de mim.
E espero, sinceramente, que numa segunda-feira de manhã
chegue um louco na minha vida, e que chegue despido de máscaras e me encontre
despida de todas elas. Ele não precisa ser moreno, alto, bonito e sensual, ele
nem precisa ser a solução dos meus problemas....mas ele tem que ser original e alguém
que como eu procure muito mais do que um corpo, máscaras e padrões sociais!
Nenhum comentário:
Postar um comentário