sábado, 31 de agosto de 2013

No bar.


Ontem fui pro único barzinho mais ou menos da cidade, tinha som ao vivo, a música estava boa, tocou de tudo, Raul, Bee Gees  e é claro o bom e velho sertanejão/dor de corno.
O bom é que com o tempo a gente vai se conhecendo, eu sei quanto cerveja cabe no meu organismo, o limite entre o estou bem e facerinha e o enfiei o pé na jaca. Quando cheguei no meu limite alcoólico, abstrai a música, todas as conversas das pessoas e fiz uma viajem de observação...antropologia , tai uma coisa que devei ter estudado.
Na minha modesta pesquisa de campo observei que existem muitas mulheres lindas, bem vestidas, educadas e solitárias; que os homens disponíveis são feios, cachaceiros, e nada educados. Vi muita gente da velha guarda(do tempo que eu era adolescente) perdido lá no bar.
Fiquei pensando o que motivou aquelas pessoas a saírem de casa, o que nos leva pro convívio social, além da obrigação? Meninas e mulheres, maquiladíssimas, com o cabelo pranchado(qual o problema em ter cachos, eu acho lindo), com suas roupas, sapatos e bolsas de grife.
Eu e uma outra louca éramos as únicas mulheres sem um reboco na cara, apesar dela estar bem melhor vestida do que eu. Não tenho saco pra impressionar ninguém, ou tentar impressionar, porque a maioria desses homens nem olha pra roupa, olha direto pro decote ou pro tamanho da bunda. Quer dizer, não quero um homem assim, e não faria o menor esforço pra ter um assim...eu sei, a solidão pesa e maltrata, por que a gente não foi feito pra estar sempre só ....mas tem coisas que não valem a pena.
E lá pelas tantas pensei que eu gostaria de conhecer o futuro  amor da minha vida numa segunda-feira, quando estou faxinando a casa, ou plantado minhas flores no jardim, por que se esse homem olhar pra mim em trajes nada bonitos, com o cabelo desgrenhado,  com minhas rugas todas a mostra e enxergar todo o esplendor do que é ser real, e gostar do que é real, aí sim,  eu vou saber que está ali um homem que vale a tentativa, a aposta, o risco.
No bar, na balada, em muitas situações da vida o que nos é apresentado é somente a casca, a máscara social, a mascara psicológica de defesa ou de ataque....Real mesmo é a segunda de manhã.
Depois de todo esse devaneio, paguei a conta e vim pra casa, feliz! E minha felicidade veio de observar as pessoas, o mundo, mas principalmente o meu mundo interno e saber que eu sei usar máscaras se eu quiser, que elas estão disponíveis na vitrine da minha mente. Eu posso bancar a Advogada e parecer que acredito no sistema, posso bancar a sexy e colocar uma roupa extravagante só pra me sentir desejada, posso bancar a indiferente e passar por um ex-amor fazendo de conta que ele não existe, posso bancar a boazinha e ser boazinha...mas minha sorte é saber que tudo isso são máscaras e reconhecer a verdadeira pessoa que existe dentro de mim.

E espero, sinceramente, que numa segunda-feira de manhã chegue um louco na minha vida, e que chegue despido de máscaras e me encontre despida de todas elas. Ele não precisa ser moreno, alto, bonito e sensual, ele nem precisa ser a solução dos meus problemas....mas ele tem que ser original e alguém que como eu procure muito mais do que um corpo, máscaras e padrões sociais!

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