quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Do preconceito nosso de todo dia...




A minha geração, ou pelo menos boa parte dela, quando criança não tinha praticamente nenhum acesso a informação....Havia rádio, TV e jornal impresso.

Lá na grota onde eu nasci, jornal impresso não chegava, TV como?, se nem luz elétrica tinha. Sim meus queridos eu vive até os meus seis anos de idade numa comunidade interiorana que não tinha nem luz elétrica, a vida era dura, simples...mas era boa!

Voltando ao assunto, please!
Bom você já percebe que o nível de informação era limitado....então a gente aprendia na base da experiência e da observação...
Na minha comunidade haviam poucas pessoas negras ou caboclas, éramos uma maioria branca, bem branca, descendentes de italianos, alemães, polacos e etc.
A cultura era de preconceito explicito....
E criança vai adquirindo e assimilando aquilo que lhe ensinam.
Quando sai lá do interior e fui morar numa cidade(também pequena) mas com uma colonização mais diversificada...então já com meus 12 ou 13 anos fiz minha primeira amiga cabocla e também uma amiga negra.
Passei a frequentar suas casas, a dividir brincadeiras, bancos de escola, segredinhos de meninas...
E pra mim passou a não fazer diferença se a pele delas era marronzinha ou negra...eram rostos que eu gostava, simpáticos e amigos.
Gostava do clima quente que havia em suas casas, de uma alegria e leveza que não tinha na minha. Eram famílias mais “despreocupadas” com as miudezas da vida, de riso solto....
Aquilo me fazia bem e eu gostava de estar ali, na companhia daquela gente descendente de um continente distante, misturada com índios dessa terra.
Seus traços eram bem diferentes dos meus, seus cabelos me encantavam....-como podia serem tão enroladinhos???
Então as negras e caboclas eram minhas amigas....mas eu não me interessava por meninos assim...
Meu primeiro choque nesse campo foi ver uma amiga minha (então já nos idos dos meus 18 anos quando foi morar em Florianópolis) namorar um NEGÃO.
Pra mim naquela época isso me parecia um pouco nojento(sim tenho vergonha de mim mesma por já ter pensado assim).
Mas ele, o NEGÃO, era tão simpático e inteligente que aos poucos foi me conquistando...depois de algumas semanas...a cor da pele dele já não fazia a mínima diferença...ele era meu amigo....
Mas será que eu namoraria um NEGÃO?
Só com 25 anos eu quebrei esse tabu....e pela primeira vez tive um envolvimento afetivo com um negro.....uma pessoa queridíssima, ser humano como eu, como você....
Como é duro desmistificar preconceitos....como é duro ver o quanto somos idiotas e quantas pessoas maravilhosas deixamos de conhecer e de ter por puro preconceito.
Hoje onde eu estiver luto  pelo direito de viver em uma sociedade sem preconceito de raça, credo, gênero, sexualidade.... por que todos podem aprender a se livrar desses estigmas...se eu que nasci lá na grota, consegui. Essa geração que tem tanta informação há de conseguir também...vamos começar dentro de casa dizendo aos nossos pequenos que devemos gostar das pessoas pelo que elas tem por dentro;  independente se são negras ou brancas, homem ou mulher, hetero ou homossexual, cristão, budista, muçulmano ou ateu

Um comentário:

  1. Perfeito Silmara !!!
    As pessoas precisam perceber que mundo é feito de pessoas e não de cor e muito menos de condição social ou escolhas...
    ...Parabéns meu Anjo !!!

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