Eliana
Calmon: "Mudança no Judiciário deixaria elites desprotegidas"
Por: Paulo
Donizetti de Souza, Revista do Brasil
São Paulo – A
corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, afirmou ontem (23), que o
sistema judiciário brasileiro foi criado para favorecer as elites políticas e
econômicas. “Não tenha dúvida. Todo o sistema é para essa proteção. Nós não
mudamos o sistema de uma hora para outra, porque se mudarmos, as elites ficarão
desprotegidas”, afirmou em entrevista para a Revista do Brasil.A ministra
esteve na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo a convite da
Escola Judiciária Eleitoral Paulista. Depois de ser homenageada por sua atuação
à frente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e proferir palestra, Calmon
concedeu entrevista exclusiva para a edição de agosto da revista.o saudá-la
antes da palestra, a desembargadora federal Diva Malerbi, do Tribunal Regional
Federal da 3ª Região, disse que a “competência, o talento e a coragem” de
Eliana Calmon representam uma nova face do Poder Judiciário: “Dizem que o
século 19 foi a vez do Executivo; que o século 20, do Legislativo; e o século
21 é o século do Judiciário. E o Judiciário que nós queremos ver já uma cara
neste início de século”, afirmou.
Após o
evento, a reportagem mencionou a violenta reintegração de posse no assentamento
Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). E questionou se o episódio ainda não
está mais para século 19 do que para 21. A ministra concordou, e alertou que
cabe ao Judiciário, mais que interpretar “a letra fria da lei”, ter ativismo o
suficiente para julgar com bom senso e levando em conta os interesses da
sociedade.
Em novembro
do ano passado, a corregedora do CNJ havia causado polêmica no ambiente da
magistratura ao afirmar que o corporativismo ideológico no Judiciário favorece
a infiltração de “bandidos de toga”.
“O corporativismo
é uma visão ideológica. Ideologicamente você parte para defender o Poder
Judiciário, e você começa a não ver nada que está ao seu redor. Você não vê
sequer a corrupção entrando nas portas da Justiça, porque você acha que, para
defender o Judiciário, você tem que manter o magistrado imune às críticas da
sociedade e da imprensa”.
A declaração
foi feita às vésperas do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, que
decidiria, entre outros pontos, se o CNJ teria poder de “concorrer” com as
corregedorias estaduais, isto é, investigar procedimentos suspeito nos
tribunais regionais mesmo que não tenha sido objeto de apuração pela
corregedoria local. Por 6 votos a 5, prevaleceu a autoridade do CNJ.
Fonte: CORREA
NETO
Data:
25/07/2012
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