segunda-feira, 16 de julho de 2012

Feminismo

Segue abaixo um texto do site http://cemmaisum.com.br/index.php/tambem-nao-sou-santa/, que eu acompanho e gosto muitcho.

“Não sou puta!”, gritam as moças-de-família. Elas não querem ser comparadas a biscates. Ora, ora, elas se comportam bem! Não falam palavrão, jamais sairiam de casa com uma roupa muito curta/muito decotada. “Sou feminina, não feminista”, dizem algumas. E, assim, estão sempre de unhas feitas, cabelo na escova e salto alto. Elas não querem ser chamadas de puta. Afinal, isso seria diminui-las demais, né? O que elas querem, mesmo, é serem chamadas de princesas. Pagar de santinha. Gostam que as idealizem! Os moços que as colocam num pedestal… esses sim sabem tratar uma mulher! Não é à toa que aquele ~poeta que escreve na Folha~ aparece por aí sendo apresentado como “um homem que entende a alma feminina”. Só que não é bem assim. Não é nada assim. Esqueçamos por um momento o comportamento das mulheres. “Promíscuas” ou “virgens”. “Feministas” e “femininas”. As que trabalham fora e as que decidiram ser donas de casa. Deixem de lado quaisquer rótulos. Pensem em nós como mulheres, apenas. Seres humanos. Gente. Seres humanos choram, esperneiam, sofrem, erram. Agem de maneira que eles mesmos depois se envergonham (ou não, ainda que devessem). Cometemos deslizes. Parece comportamento de santa pra você? Santos, pelo que me lembro, “são” (mil aspas, porque isso depende da crença de cada um) assexuados, puros, bons. Eles estão num pedestal, num altar, intocáveis. Não são humanos. E, portanto, não comandam as próprias vidas, não desejam, não se impõem. Você quer ser santa? Quer ser idealizada? Ou você quer ser real? Alguns acham que a idealização, a santificação da mulher é elogio. Não é. Isso se chama “sexismo benevolente” (mais tarde recolocarei no ar um post em que falo sobre isso). Colocar as mulheres na posição de quem é frágil e precisa de auxílio dos homens é tirar dela a força que ela tem. Por favor não venham com a questão de que homens são mais fortes fisicamente. Também não diga que as ~feminazis~ querem acabar com as gentilezas – elas devem continuar existindo, mas independentes de gênero. Receber elogio é bacana, mas que tal elogiar as mulheres (e homens) da sua vida falando das virtudes que elas efetivamente têm? Vamos parar de esperar que todas as moças sejam delicadas e doces. Muitas, como eu, não são. Sabendo disso, algumas de nós ficamos angustiadas porque não nos enquadramos nos papéis de gênero que nos foram atribuídos. Isso gera culpa – tem garota que se sente menos bonita porque não está de unha feita em um dia da semana, ainda que tenha passado os outros seis com as mãos impecáveis. Elogie como sua amiga é forte e decidida. Elogie a sensibilidade do seu namorado. Não fique zoando o amigo que chorou “feito uma mulherzinha”. Eles não são “fortes, másculos e viris”, assim como nós não somos “putas” e nem “santas”. Somos só seres humanos. E isso já dá um trabalhão.

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